O estabelecimento se negou a conferir o código de barras do produto e a mostrar as imagens das câmeras. Seguranças tentaram levar jovens para o banheiro, mas foram impedidos por outra cliente

Por Patrícia Rosa

Imagem: Divulgação RedeMix

Três adolescentes foram acusados de roubar um pacote de biscoito, e tratados com truculência por seguranças do Supermercado RedeMix, de Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador (BA). O caso aconteceu no último sábado (30). 

Segundo Maiara Mascarenhas, mãe de duas das vítimas, os meninos de 13, 15 e 17 anos,  tinham ido à loja comprar uma sandália. “Meus filhos saíram pra comprar um chinelo, junto com um amigo. O mais novo, de 13 anos, saiu de casa comendo um biscoito, que foi comprado em outro mercado. Eles entraram no RedeMix com o biscoito na mão, ele não comeu o pacote todo e colocou na mochila do amigo”, declara Maiara.

Os adolescentes escolheram o produto, se dirigiram ao caixa e efetuaram o pagamento, ao se encaminharem para saída, dois seguranças da loja abordaram os meninos. “Eles agiram de forma truculenta, pegando pela camisa, dando solavancos, socos nas costas”, desabafa a mãe.

No momento da abordagem, uma das clientes da loja, Verena Gomes, de 30 anos, interferiu na situação e impediu que os funcionários levassem os meninos para o banheiro. Verena ficou com as vítimas enquanto as mães não chegavam e sugeriu aos funcionários que conferissem o código de barras do biscoito no caixa, mas o estabelecimento se negou a verificar o registro do produto, que estava com a etiqueta de outro estabelecimento.

Segundo a cliente, a loja se negou a mostrar as imagens das câmeras, alegando que os aparelhos não gravavam.“O segurança que agrediu os meninos foi tirado do local e veio um gerente e pediu a nota fiscal do biscoito, mas eu disse que era impossível mostrar a nota de um biscoito que eles levaram para casa.” Com a ação violenta, um dos meninos ficou em choque, machucou o calcanhar e teve o óculos danificado.

Suede Nicácio dos Santos , de 39 anos,  mãe de um dos jovens, diz que o filho não quer ir para a escola depois do ocorrido. “Ele tá com vergonha, pois tem amigos deles que estavam no supermercado  e viram eles sendo abordados.  Tem pessoas que viram e não estão acompanhando, não estão entendendo nada e não sabem o que realmente ocorreu”, desabafou Suede.

Com todo o susto, os garotos seguem abalados com as agressões e constrangimentos causados e seguem sendo amparados pelas famílias.  Suede conta que um boletim de Ocorrência foi registrado na 8ª Delegacia Territorial, na noite do ocorrido. Verena que é testemunha do caso prestará depoimento na tarde da próxima segunda-feira(8). 

A Revista Afirmativa entrou em contato com a Rede de Supermercados por e-mail, mas não obteve respostas até a publicação dessa matéria.