Decisão da prefeitura de suspender o São João para redirecionar os recursos em ações que estão sendo realizadas para mitigar os danos das chuvas vem sendo questionada

Por Andressa Franco

Imagem: Diego Nigro – METSul Metereologia

Registrada como a maior tragédia do estado de Pernambuco, o número de mortos em decorrência das chuvas intensas e deslizamentos de terra que tiveram início na última sexta-feira (27) já chega a 127.

Na manhã desta quinta-feira (2) o Corpo de Bombeiros localizou mais duas vítimas dos temporais. Os resgates foram realizados na Vila dos Milagres e no Curado, na zona sul de Recife. Outras cinco vítimas fatais foram encontradas na quarta-feira (1) nas cidades de Limoeiro, Jabotão e na capital Recife. Duas pessoas seguem desaparecidas.

As buscas por desaparecidos em deslizamentos continuam na Vila dos Milagres, no Curado IV e na comunidade do Areeiro, em Camaragibe, segundo informou o governo de Pernambuco. O número de desabrigados subiu para 7.312, essas pessoas estão em 66 abrigos distribuídos em 27 municípios.

A crise levou o governo pernambucano a decretar emergência no estado, assim como em 14 municípios da região metropolitana. A tragédia é resultado não apenas de um evento da natureza, mas resultado da negligência do poder público, e marcada por racismo ambiental.

Apesar do boletim de alerta emitido com dois dias de antecedência pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão federal ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, a prefeitura da capital pernambucana esperou a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), informar a previsão de chuva intensa para acionar o plano de contingência. O que só ocorreu na própria sexta-feira (27), horas antes da tragédia.

São João suspenso

Na última segunda-feira (30), o prefeito João Campos (PSB) chegou a anunciar a suspensão dos festejos juninos no Recife, para redirecionar R$ 15 milhões em recursos em apoio às ações que estão sendo realizadas para mitigar os danos das chuvas.

A medida vem sendo questionada, tanto por conta dos trabalhadores da cultura e trabalhadores informais que contam com a realização da festa para garantir renda, como também por questões orçamentárias.

Pré-candidato ao governo de Pernambuco, Jones Manoel (PCB), criticou a decisão na Revista Fórum. “A secretária de habitação, para 2022, tem orçamento de R$48 milhões. Estamos no final de maio e até agora só foi executado desse orçamento R$1,3 milhão. Por qual motivo, prefeito, não tivemos obras para reduzir áreas de risco e construir moradia popular antes da chuva?”, questiona.