Por Matheus Souza
Nos estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas, menos da metade das vias nas favelas e comunidades urbanas possuem a infraestrutura necessária para comportar o transporte público. As pistas nessas regiões não possuem a largura e pavimentação suficientes para a circulação de ônibus, caminhões de coleta de lixo e ambulâncias, o que compromete o transporte coletivo, a coleta de resíduos e o acesso de serviços de emergência.
Os dados fazem parte de uma pesquisa da Agência Tatu, que analisou os números do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e verificou ainda que, fora dessas áreas, o cenário se inverte. Em todos os estados, nas zonas centrais e nobres das cidades, mais de 80% das vias permitem a circulação de veículos de grande porte, escancarando a desigualdade entre as áreas urbanizadas e as favelas.
O Censo 2022 ainda revela que 73% dos moradores das favelas são pessoas negras, um aumento em relação aos números de 2010, onde 68,4% dos habitantes dos chamados “aglomerados subnormais”, terminologia utilizada na época, eram pessoas negras. O aumento da população negra nas favelas coincide com o aumento do número de moradores nessas comunidades. Há 12 anos, os moradores de favela eram 6% da população brasileira (11,4 milhões), enquanto em 2022 passou a ser 8% (16,4 milhões de habitantes).
Em sua avaliação para determinar se uma pista é ou não capaz de receber o tráfego de veículos de grande porte, o IBGE avalia a largura das vias e a presença de obstáculos, como postes ou fios baixos. As ruas são classificadas em níveis que vão desde as vias amplas, onde circulam ônibus e caminhões, até passagens estreitas limitadas a carros, motos ou apenas pedestres, como becos e escadarias.


