Por Matheus Souza
Menos de 24 horas após a advogada e influenciadora Agostina Páez, ré por injúria racial no Brasil, voltar à Argentina, seu pai, o empresário Mariano Páez, foi gravado fazendo um gesto racista. O episódio aconteceu na madrugada da última sexta-feira (3), em um bar na província de Santiago del Estero.
O homem, que parecia estar envolvido numa discussão, foi flagrado em vídeo imitando um macaco para as pessoas presentes. Na ocasião, ele também disse que sente “asco pelo Estado”. Agostina, sua filha, foi presa por racismo após reproduzir a mesma imitação em um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio, onde passava as férias, em janeiro deste ano.
Na gravação ainda é possível ouvir Mariano dizer: “Não vivo da política. Sou empresário, milionário e agiota. E narco…” Em outro vídeo da mesma ocasião, o empresário afirma ter pago a fiança de US$ 18 mil para a influenciadora responder ao processo em liberdade.
Após a divulgação do vídeo, o Ministério Público de Santiago del Estero abriu uma investigação contra o empresário. O inquérito foi aberto no último domingo (5), pela procuradora Dra. Victoria Ledesma, após a repercussão da gravação.
O órgão informou que o objetivo da ação é apurar a existência ou não de crimes, tomando como ponto de partida o conteúdo do material audiovisual que está em circulação e que se tornou público.
Racismo e injúria racial
A legislação brasileira considera o racismo crime inafiançável e imprescritível, previsto na Lei nº 7.716/1989. Além disso, a injúria racial, tipificada no Código Penal, foi equiparada ao crime de racismo pela Lei 14.532/23. Isso significa que ofensas direcionadas a indivíduos em razão de sua cor ou etnia passam a ter o mesmo peso jurídico de condutas discriminatórias coletivas.


