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Livro sobre reparação histórica e memória negra será lançado na UFRB, em Cachoeira (BA)

Evento reúne debates sobre políticas de reparação, performances e manifestações artísticas ligadas à memória e à cultura afro-brasileira
Livro sobre reparação histórica e memória negra será lançado em ocupação artística na UFRB, em Cachoeira (BA)
Imagem: Diego Silva / Divulgação

Texto: Divulgação

A cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, receberá no próximo dia 14 de maio uma programação voltada ao debate sobre reparação histórica, memória e reconhecimento da população negra no Brasil. As atividades acontecerão no Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), a partir das 9h, e incluem o lançamento do livro “Reparação: memória e reconhecimento”, organizado pela professora e historiadora Luciana Brito, em parceria com o Instituto Ibirapitanga.

A data escolhida marca o primeiro dia após os 137 anos da abolição formal da escravidão no Brasil e propõe uma reflexão sobre os impactos históricos da ausência de políticas reparatórias para a população negra. O livro surge a partir dos debates realizados durante o seminário homônimo, promovido em 2023, no Rio de Janeiro, reunindo ativistas, intelectuais, artistas, quilombolas, representantes de religiões de matriz africana e familiares de vítimas da violência do Estado.

A obra aborda temas como direito à memória, acesso à saúde, educação, cidadania, direito à terra e incidência política. Também recupera discussões formuladas desde a Conferência de Durban, realizada em 2001, considerada um marco internacional no debate sobre racismo e reparação histórica.

Segundo Luciana Brito, a escolha de Cachoeira como sede do evento carrega um significado histórico e simbólico. A historiadora destaca que a cidade foi uma das maiores sociedades escravistas das Américas, mas também se consolidou como um território de preservação e fortalecimento das culturas afro-brasileiras.

“A população africana e afrodescendente de Cachoeira também nos legou o que há de mais rico e sofisticado em termos de cultura afro-brasileira: economia negra popular e sustentável, política e religiosidade”, afirma a pesquisadora.

Luciana também ressalta o papel da UFRB na ampliação do acesso da população negra ao ensino superior. “É muito importante que nós dialoguemos e façamos essa reflexão nesse território, nessa universidade, que é fruto de uma demanda popular do movimento negro brasileiro e das classes populares por acesso à educação e ao ensino superior”, diz.

Além dos debates acadêmicos, a programação será marcada por apresentações artísticas e performances que relacionam arte, ancestralidade e reparação. A ocupação artística começa às 9h, com participação dos artistas Marcos da Matta, Davi Rodrigues, Kleyson Otun Elebogi, Odara, Eduardo Rodrigues, César Sobrinho, Ira e Suely.

Às 9h30, a educadora e contadora de histórias Vovó Cici de Oxalá realizará uma palestra-performance acompanhada de um grupo de alabês. Em seguida, o artista Giovane Sobrevivente apresenta a performance “REPARA”. O lançamento do livro Reparação: memória e reconhecimento acontece às 10h30, com conversa entre Luciana Brito e a escritora Camila Carmo.

Durante a tarde, a programação segue com uma roda de conversa sobre reparação e repatriação, reunindo o pesquisador e advogado Cláudio Fonseca e o artista Davi Rodrigues, com mediação de Luz Kieza, no Núcleo de Memória e Documentação (NUDOC). Também será lançado o livro “Mulheres que amam assombradas”, da escritora Sandra Liss, em diálogo com Luciana Brito.

O encerramento ficará por conta da artista Suely, com a performance Banquete de Ventania, que une culinária afro-baiana e música em referência à ancestralidade e à espiritualidade de matriz africana.

Para Luciana, discutir reparação também exige reconhecer o papel das artes negras na construção da memória e das subjetividades da população negra brasileira. “As artes negras também foram instrumento de expressão da imaginação negra brasileira, de projetos de nação e das subjetividades da população negra”, conclui.

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