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Documentário mostra luta da comunidade de São Lázaro pelo direito à permanência, em Salvador (BA)

Produzido em parceria com moradores, “Terra de alguém? Comunidade de São Lázaro: vozes pela permanência” denuncia ameaças de despejo e reforça a resistência de uma comunidade negra diante da especulação imobiliária
Documentário mostra luta da comunidade de São Lázaro pelo direito à permanência, em Salvador (BA)
Imagem: Divulgação

Texto: Divulgação

A comunidade de São Lázaro, em Salvador (BA), transforma memória, denúncia e resistência em narrativa audiovisual no documentário “Terra de alguém? Comunidade de São Lázaro: vozes pela permanência”, que será lançado neste sábado (16), a partir das 17h, no Largo de São Lázaro. A produção é uma iniciativa da  comunidade, em parceria com a Bheufilmes, e busca dar visibilidade à luta de moradoras e moradores pelo direito de permanecer no território onde vivem há décadas.

O filme surge como instrumento político e simbólico de afirmação coletiva diante das ameaças de despejo e da pressão exercida pela especulação imobiliária sobre territórios populares e majoritariamente negros da capital baiana.

Construído a partir de relatos, memórias e experiências dos próprios moradores, o documentário evidencia a relação histórica, afetiva, cultural e econômica da comunidade com São Lázaro e defende o território como lugar de pertencimento, ancestralidade e continuidade de vidas construídas coletivamente ao longo de gerações.

Morador da comunidade há mais de trinta anos, o empreendedor André Silva destaca que permanecer em São Lázaro significa honrar a trajetória dos mais velhos que ajudaram a construir a história do bairro. “Representa para mim uma continuidade dos meus ancestrais que por aqui passaram e fizeram uma linda história em São Lázaro, deixando o seu legado. Eles precisam respeitar a nossa história aqui neste lindo bairro. 74 anos não são 74 dias deste lugar”, afirma.

O documentário também denuncia os impactos das disputas urbanas vividas pela comunidade. Segundo André, as ameaças de remoção vêm acompanhadas de criminalização e violência simbólica contra os moradores. “É difícil ter que provar que já estávamos aqui antes mesmo da chegada deles. A branquitude sempre tem mais poder. Eles querem nos tratar como massa de manobra e isso nunca vamos aceitar”, diz.

A exibição será seguida por uma roda de conversa com o tema “A comunidade de São Lázaro: pelo direito à vida, à regularização e à permanência no território”. O debate reunirá representantes comunitários, organizações da sociedade civil e instituições públicas para discutir direito à cidade, justiça territorial e políticas públicas voltadas às populações tradicionais e periféricas.

Participam da atividade as ativistas Caroline Brito, da comunidade de São Lázaro; Luciana Silveira, do Centro de Estudos e Ação Social (CEAS); Rita Santa Rita, do Grupo de Mulheres do Alto das Pombas (Grumap); e Juan Gonçalves, advogado e assessor popular do CEAS.

A produção conta ainda com o apoio de coletivos e iniciativas locais, como Em Cantos de São Lázaro, Samba de São Lázaro, Samba Criolo Show, Observatório Até Quando?, do Centro de Referência Integral de Adolescentes (CRIA), além do Grumap e do CEAS.

Para André, o lançamento representa também uma oportunidade de apresentar ao público a história da comunidade sob a perspectiva de quem vive o território diariamente.

“Esperamos que cada pessoa que estiver presente possa conhecer a parte verdadeira da nossa história e da nossa existência no bairro de São Lázaro há mais de sete décadas. Vai ser uma tarde maravilhosa de troca de conhecimentos e algo que vai agregar muito nessa luta”, conclui.

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