Por Patricia Rosa*
O Ministério Público de São Paulo determinou a reabertura das investigações sobre a morte do vendedor ambulante Ngange Mbaye, de 34 anos, vítima de tiros durante uma ação de fiscalização da Polícia Militar, no bairro do Brás, em abril de 2025. A reabertura da investigação foi determinada pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio da Costa.
O caso havia sido arquivado em fevereiro deste ano. Na época, o promotor Lucas de Mello Schaefer concluiu que o policial agiu em legítima defesa e fez uso “moderado dos meios necessários”. Com a reabertura do caso, o procurador-geral designou outro promotor para analisar a ocorrência e ofereceu uma denúncia contra o policial militar.
A ação fazia parte de uma ação de fiscalização da Prefeitura. Segundo apuração do G1, um funcionário terceirizado responsável pela operação teria afirmado que a orientação inicial era apenas dispersar os ambulantes, sem realizar apreensões de mercadorias. Ainda assim, policiais tentaram recolher as mercadorias de Mbaye.
No momento da abordagem, o ambulante tentava proteger as suas mercadorias e as de uma colega idosa de uma apreensão. Segundo os agentes, o senegalês teria os atingido com uma barra de ferro, versão contestada por testemunhas. Durante a ação, um dos policiais, Paulo Junior Soares de Carvalho, efetuou um disparo que atingiu o ambulante no abdômen. A vítima chegou a ser socorrida e encaminhada à Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu aos ferimentos.
Um amigo da vítima, Ndiogou Gueye, afirmou à reportagem da Ponte Jornalismo que estava ao lado de Ngange no momento da abordagem e que o ambulante foi agredido com golpes de cassetetes.
Pedidos de justiça
O assassinato de Ngange Mbaye gerou grande repercussão, e cobranças por invesitigação. Logo que tomou conhecimento do caso, a ministra de Integração Africana e Negócios Estrangeiros do Senegal, Yassine Fall, pediu explicações ao governo brasileiro.
O pedido por justiça também tomou as ruas de São Paulo. No dia 14 de abril, três dias após a morte, manifestantes tomaram as ruas da cidade. Entre os presentes, estava o cônsul honorário do Senegal em São Paulo, Babacar Bá.
A morte de Ngange Mbaye não é um caso isolado. Dados do Ministério Público de São Paulo (MP/SP) mostraram que o número de mortes cometidas por policiais militares em serviço cresceu em São Paulo: foram 672 só em 2025, marcando o terceiro ano consecutivo de alta em casos como esses na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), marcada por ações contrárias ao uso de câmeras corporais nas fardas dos agentes.
Com informações do Portal G1, Alma Preta, Ponte Jornalismo e Agência Brasil*


