Por Jamile Novaes
Produzido e lançado pelo Movimento Negro Evangélico do Brasil (MNE), o dossiê “388 anos de escravidão: e a igreja com isso?” é fruto da análise de mais de 100 documentos – dentre livros, artigos e teses – que abordam a presença e a atuação das igrejas evangélicas no Brasil durante o período da escravidão.
Além de evidenciar as formas como o racismo teológico contribuiu para a manutenção do sistema escravocrata, o documento analisa seus impactos sobre a igreja nos tempos atuais e apresenta uma série de recomendações para responder a este cenário.
Dentre elas estão: a abertura dos arquivos institucionais do período escravocrata; a elaboração de políticas eclesiásticas de reparação; e um pedido oficial de perdão ao povo negro brasileiro.
“O povo brasileiro, assim como o povo hebreu, precisa lembrar que um dia este país foi terra de escravidão, e que pessoas negras, com o aval e a omissão de nossas igrejas, foram sistematicamente animalizadas e desumanizadas. Reconhecer o racismo e depois enfrentá-lo é o primeiro passo para uma possível reparação”, ressalta Jackson Augusto, um dos autores do dossiê.
O levantamento foi realizado por meio de consulta a repositórios institucionais, bibliotecas digitais e bancos de periódicos científicos. Foram encontrados documentos referentes às denominações Anglicana, Batista, Luterana, Metodista, Presbiteriana e Congregacional.
Em uma primeira etapa, foram pesquisados os nomes das denominações evangélicas, seguidos por termos relacionados à escravidão no contexto brasileiro. A segunda fase da pesquisa procurou identificar indivíduos e instituições ligadas às igrejas, mapear suas atuações e compreender o papel das igrejas e de seus membros durante o período escravocrata.
O dossiê é parte da campanha “388 anos de escravidão: e a igreja com isso?”, que tem mobilizado debates, ações e incidência política em inúmeras igrejas evangélicas brasileiras, com o objetivo de criar caminhos para resgatar a memória histórica e promover políticas de reparação a partir das comunidades eclesiásticas.


