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Após meses de contaminação, Prefeitura de Salvador (BA) reconhece emergência ambiental em São Tomé de Paripe

Poluição litorânea ameaça ecossistemas marinhos, compromete a saúde física de moradores e o sustento de pescadores e marisqueiras
Imagem: Matheus Lemos | Ascom Inema

Por Luana Miranda

Na última segunda-feira (8), a Prefeitura de Salvador decretou situação de emergência nas áreas litorâneas da região de São Tomé de Paripe. Mais de 100 dias após identificar a contaminação química que atinge as praias do bairro da capital baiana, a ação visa ampliar a atuação de órgão e entidades da administração municipal na redução dos impactos sociais e ambientais causados à população. Também busca mobilizar apoio da União na captação de recursos financeiros e assistência humanitária para recuperação das áreas afetadas. 

A medida, estabelecida pelo Decreto nº 41.834, divulgada no Diário Oficial do município, entrou em vigor no momento da sua publicação e terá duração de 90 dias. Ainda de acordo com as informações divulgadas pela prefeitura, a área está sendo afetada pelo aparecimento de substâncias químicas derivadas das atividades desenvolvidas pelas empresas GERDAU e INTERMARÍTIMA, que tem provocado a poluição em todo o litoral da região.

Segundo o Decreto, a situação de emergência tem embasamento nos relatórios técnicos emitidos pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – Inema.  Os documentos identificaram altas concentrações de metais pesados como o ferro, cobre e zinco em organismos marinhos na região, principalmente em moluscos bivalves (caracterizados pela presença de conchas).

Além do evidente impacto ambiental, a situação afeta diretamente a saúde física da população local. Emreportagem da Revista Afirmativa em parceria com a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), moradores e especialistas da área da saúde relataram que a exposição aos metais causa irritação nos olhos, na pele e diversos outros sintomas. 

Outro ponto acerca da contaminação química na região é o impacto direto nas atividades econômicas. Também em entrevista à Afirmativa, Joilda Borges, integrante da Associação dos Trabalhadores da Orla Pé na Areia (Astop), que lidera a região de São Tomé de Paripe, afirma que cerca de 20 barracas foram atingidas no bairro, afetando 42 permissionários e seus funcionários. “Por trás de cada permissionário existem várias famílias. No meu caso, por exemplo, tenho dois garçons, um cozinheiro e um ajudante. São quatro famílias diretamente ligadas à minha atividade.”

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