Por Patrícia Rosa*
Leonardo Gil Lima, de 33 anos, conhecido como “Léo do Lanche”, foi mais uma vítima da Polícia Militar de Salvador (BA). Na noite desta quinta-feira (23), o vendedor foi morto após ser atingido por um tiro na cabeça, durante uma ação policial no bairro de São Cristóvão. A vítima foi socorrida para o Hospital Menandro de Faria, mas não resistiu.
Indignados com o ocorrido, moradores do bairro realizaram protestos na mesma noite, e na manhã desta sexta-feira (24). Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rede Bahia, a irmã de Leonardo, Tatiana Gil, relata que no momento da ação da polícia, a região estava sem energia elétrica, e ele havia se sentido seguro ao ver a viatura passar.
“Ontem aconteceu toda irregularidade possível”, começa Tatiana, que afirma que os policiais já entraram na Rua Lessa Ribeiro atirando, em um horário em que moradores chegavam do trabalho e crianças brincavam na rua. “Não teve nada dessa história que houve troca de tiro. […] Não existia droga, não existia arma, o que existiu foi execução, o que existe é que essa mulher tem que tirar essa farda. Quem mata é o Estado, que sai tirando a vida das pessoas como se fosse qualquer coisa!”
Como de praxe, a Polícia Militar relatou que equipes da 49ª Companhia Independente (CIPM) realizavam rondas na região, quando encontraram dois homens em “atitude suspeita”. Segundo a corporação, os suspeitos atiraram contra os policiais, que revidaram.
O vendedor foi morto seis dias depois de inaugurar seu ponto comercial fixo no bairro. Morreu sem ter tido tempo de comemorar a sua conquista. Antes de inaugurar sua lanchonete, Léo vendia lanches em uma bicicleta na região.
Um processo administrativo foi instaurado para apurar a conduta dos policiais. Os agentes envolvidos na ação foram afastados.
Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, entre 1º de janeiro e 5 de maio deste ano, Salvador (BA) e Região Metropolitana registraram 261 ocorrências de tiroteios em operações policiais. As ocorrências deixaram 229 pessoas baleadas, 182 mortas e 47 feridas.
*Com informações do Jornal Correio


