Por Jamile Novaes
Cerca de 38,5% dos lares chefiados por mulheres negras no Brasil vivem em situação de insegurança alimentar – seja em grau leve, moderado ou grave. Entre os lares chefiados por homens negros, essa taxa é de 28,9%. Na sequência, aparecem os domicílios chefiados por mulheres brancas, com 22,2% e por último, os domicílios chefiados por homens brancos, nos quais o índice de insegurança alimentar não ultrapassa os 15,7%.
Os dados são do estudo Faces da Desigualdade, da FIAN Brasil – Organização pelo Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas, com informações coletadas da PNAD Contínua – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
De acordo com o estudo, a raça é o fator que mais influencia o acesso à alimentação, sendo mais determinante que o gênero. O cruzamento de dados desagregados por raça, gênero e acesso a trabalho e emprego mostram que, mesmo com emprego formal, mulheres negras enfrentam níveis de insegurança alimentar semelhantes aos de homens brancos em condições mais precárias de trabalho.
Ainda de acordo com o levantamento, as regiões Norte e Nordeste concentram os piores indicadores. Nesses territórios, a insegurança alimentar atinge, respectivamente, 46,3% e 45,7% dos domicílios chefiados por mulheres negras.
No contexto nacional, os domicílios localizados nas áreas rurais são os mais afetados pela insegurança alimentar em diferentes níveis, quando comparados aos domicílios localizados nas zonas urbanas.
A análise da FIAN Brasil adota a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), metodologia que classifica o acesso à alimentação a partir da experiência das famílias. O instrumento identifica quatro níveis: segurança alimentar, quando há acesso regular e suficiente à comida; insegurança leve, marcada pela preocupação com a falta de alimentos e piora na qualidade da dieta; insegurança moderada, quando há redução na quantidade de comida consumida; e insegurança grave, que caracteriza a falta de alimentação por um dia inteiro ou mais, por falta de recursos.


