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Em Salvador (BA), festival celebra os 80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN)

O Melanina Acentuada Festival acontece entre 28 de julho e 3 de agosto em diversos espaços artísticos e culturais da capital baiana
Imagem: Rebeca dos Santos / Laboratório Z

Texto: Divulgação

Entre os dias 28 de julho e 3 de agosto acontece em Salvador (BA) a 8ª edição do Melanina Acentuada Festival. O evento multilinguagem busca promover encontros entre teatro, literatura, música e o pensamento negro contemporâneo para homenagear os 80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN) e o legado de Abdias do Nascimento.

Criado pelo ator, autor e dramaturgo Aldri Anunciação, o festival acontece há 14 anos e nesta edição tem programação voltada às narrativas e aos povos originários, africanos e afroindígenas.

“Os nossos mundos estão conectados, a luta é a mesma. Nós temos que fazer essas coisas para atritar os mundos, para que pessoas negras, indígenas, mulheres, PCDs, trans, travestis, enfim, estejam em todos os lugares”, afirma o escritor potiguara Juão Nyn, que chega ao festival com o monólogo TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira, uma obra de ficção sobre o primeiro caso de LGBTfobia contra um corpo nativo documentado no país.

A programação também conta com apresentações de importantes espetáculos da dramaturgia negra, como o premiado “MACACOS”, do ator e dramaturgo Clayton Nascimento; “Namíbia, Não!”, de Aldri Anunciação, com direção de Lázaro Ramos e participação gravada de Wagner Moura; e “Abdias do Nascimento”, protagonizado pelo ator carioca Lincoln Oliveira ao lado de Paulo Guidelly e João Vitor Nascimento.

Além dos espetáculos, o festival reúne escritores, pesquisadores e artistas como Guilherme Diniz, Jessé Oliveira, Eugênio Lima, Luciany Aparecida, Daniel Arcades, Sulivã Bispo e Johayne Hildefonso, que contribuem com novas pesquisas, lançamentos editoriais e reflexões sobre os caminhos da produção artística negra contemporânea.

Entre os destaques do evento está a participação da ensaísta, dramaturga e professora Leda Maria Martins, considerada uma das principais referências dos estudos sobre performance, ‘oralitura’, ‘tempo espiralar’ e teatro negro no Brasil. Durante o festival, a pesquisadora apresenta o lançamento de seu novo livro, “A Fina Lâmina da Palavra”, sobre memória, ancestralidade e criação artística negra.

“No livro, eu traço uma paisagem crítico-teórica sobre criações  estéticas de vários gêneros, que, ao longo dos anos, tem me encantado. Poeticamente, a linguagem analítica se debruça, com prazer, sobre várias composições, visando despertar também no leitor o sabor da e pela arte”, conta a autora.

A pesquisadora e ativista Elisa Larkin Nascimento, viúva de Abdias do Nascimento e presidente do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), também é presença confirmada no festival. Ela assina a coautoria do livro “Teatro Experimental do Negro: Testemunhos e Ressonâncias”, publicado ao lado de Aldri Anunciação e Jessé Oliveira. A obra revisita o histórico ano de 1966 na vida de Abdias e reúne reflexões contemporâneas sobre a permanência do TEN como uma das maiores referências do ‘teatro afrobrasileiro’.

O Melanina Acentuada acontece em diversos espaços artísticos e culturais de Salvador. A programação completa e informações sobre os locais de realização estão disponíveis no perfil @melaninaacentuada no Instagram.

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