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Conselho Nacional de Direitos Humanos aciona ONU e Fifa por casos de racismo na Copa do Mundo de 2026

Dados da FIFA identificaram 89 mil mensagens consideradas abusivas nas redes, sendo que 11% delas tinham teor racista
Imagem: Reprodução/YouTube/ishowspeed

Por Patrícia Rosa*

Diante do volume de casos de racismo na Copa do Mundo de 2026, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) cobrou à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Federação Internacional de Futebol (FIFA) a adoção de medidas em conjunto contra os casos registrados durante o torneio. O Conselho denunciou o que chamou de “um padrão transnacional de racismo estrutural”.

Dados da própria FIFA que analisaram seis milhões de publicações nas redes sociais, identificaram 89 mil mensagens consideradas abusivas, 11% delas contendo teor racista. Os números são referentes à fase de grupos e foram reunidos pelo balanço do Social Media Protection Service (SMPS), e publicados no último dia 1º de julho. No mesmo período da Copa de 2022, o número de publicações era 33% menor.

No manifesto enviado à ONU, o CNDH defende que os três países-sede da competição (Estados Unidos, Canadá e México)  têm  o dever de cumprir com as obrigações estabelecidas nos tratados internacionais de direitos humanos para investigar e responsabilizar os responsáveis pelas manifestações de ódio.

O documento também pede à entidade esportiva que seja feita a análise de atuação da organização a partir dos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos.

Carlos Nicodemos, relator da CNDH, explica que os casos ultrapassam a esfera esportiva, pois o futebol reflete dinâmicas sociais. Para ele, os episódios registrados durante a Copa evidenciam a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção aos direitos humanos.

Um dos casos de racismo durante o torneio aconteceu em um restaurante em Morro de São Paulo, no município de Cairu (BA), na última quarta-feira (14). Quando um turista argentino branco fez gestos racistas, imitando um macaco, para um homem negro, que também acompanhava a partida da semifinal entre Argentina e Inglaterra. No sábado (18), o homem identificado como Sebastian Fernando Ayala teve a prisão preventiva decretada, mas já havia deixado o país e é considerado foragido.

Ainda durante a Copa do Mundo, na partida entre Argentina e Cabo Verde, no dia 3 de julho, o streamer negro norte-americano Darren Jason Watkins Jr., de 21 anos, foi alvo de um insulto racista no Hard Rock Stadium, em Miami (EUA). Durante uma transmissão ao vivo, um torcedor com a camisa da seleção argentina aparece dizendo para o influenciador: “vá chorar no zoológico”.

*Com informações do O Globo

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