Por Jamile Novaes*
Durante uma partida do Campeonato Paulista Sub-15 realizada no último sábado (1), no Estádio Domênico Paolo Metidieri, em Votorantim (SP), o árbitro Marcos Roberto de Jesus Nunes deixou o campo para prestar queixa após ser vítima de racismo cometido por um torcedor.
Ao final do primeiro tempo de jogo entre Votoraty e Referência, o árbitro foi informado pela delegada da partida que havia sido chamado de “macaco”. Com o início do segundo tempo, ele ergueu os braços para acionar o protocolo antirracista estabelecido pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) e se dirigiu à delegacia de Polícia Civil mais próxima para registrar a ocorrência.
Outros torcedores e parte da equipe de apoio e segurança que trabalhava no estádio foram testemunhas da ofensa racista e identificaram o agressor, que é pai de um dos atletas do Votoraty. A Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal foram acionadas e o suspeito foi conduzido à delegacia.
O torcedor, que não teve a identidade revelada, responderá em liberdade pelo crime de racismo e poderá ser penalizado com dois a cinco anos de prisão.
Em suas redes sociais, o árbitro Marcos Roberto comentou o ocorrido: “Ouvir que isso aconteceu com outra pessoa já é extremamente triste e doloroso. Mas sentir na pele é devastador. A sensação de impotência é tão grande que te faz chorar”. O árbitro afirmou ainda que, após o episódio, agradeceu a Deus por não ter um filho, para que ele não precise passar por uma situação tão horrível quanto essa.
O clube Votoraty, a Prefeitura de Votorantim e a Federação Paulista de Futebol (FPF) emitiram notas públicas em repúdio ao ocorrido.
Foi a segunda vez, em dois dias, que o protocolo antirracista precisou ser acionado em competições de futebol de São Paulo. O primeiro caso aconteceu na sexta-feira (31), durante partida do Campeonato Paulista Sub-20, quando um jogador do XV de Jaú foi acusado de chamar um atacante do Ituano de “macaco”.
Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou um aumento de 13% nos registros de crimes de racismo entre os anos de 2024 e 2025. São Paulo foi o estado que concentrou o maior número de ocorrências, com 9.925 registros de racismo e 7.868 registros de injúria racial.
Com informações de Uol*


