Terceiro acusado pela morte de Mãe Bernadete será julgado em outubro

Josevan Dionísio dos Santos, apontado como um dos executores da liderança quilombola, irá a júri popular em Salvador (BA) no dia 13 de outubro. O crime completou três anos nesta semana.

Por Catiane Pereira*

Três anos após a execução de Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, o caso terá um novo julgamento. Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como BZ ou Buzuim, será submetido ao Tribunal do Júri no dia 13 de outubro, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador (BA). Ele é apontado como um dos executores da liderança quilombola e será o terceiro acusado a enfrentar um júri popular pelo crime.

Segundo informações publicadas pelo Correio 24 Horas, o julgamento de Josevan ocorrerá após o Tribunal de Justiça da Bahia determinar a transferência do processo, medida conhecida como desaforamento. A mudança retira o julgamento de Simões Filho, município na Região Metropolitana de Salvador, onde o crime aconteceu, e faz com que o Conselho de Sentença de Salvador seja responsável pela análise do caso. Josevan permanece preso preventivamente.

Além de Josevan, outros dois acusados ainda devem enfrentar a Justiça pelo assassinato da liderança quilombola. São eles: Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus. Sérgio foi citado durante o primeiro julgamento como uma pessoa que tinha uma desavença com Mãe Bernadete. A liderança havia denunciado o acusado por extração ilegal de madeira no território. Sérgio é padrasto de Arielson, um dos réus já condenados.

Josevan, por sua vez, foi pronunciado – ou seja, teve a acusação aceita pelo juiz, que determinou que o réu deve ser julgado pelo Tribunal do Júri – por homicídio qualificado pelo emprego de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. 

Primeiro julgamento em abril deste ano

O primeiro julgamento relacionado ao caso terminou com a condenação de Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos. Os dois foram julgados em Salvador e condenados por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito.

Arielson foi condenado a 40 anos, cinco meses e 22 dias de prisão. Marílio, apontado pela acusação como mandante do assassinato, recebeu pena de 29 anos e nove meses. Ambas as penas a serem cumpridas inicialmente em regime fechado. A investigação que levou às condenações reuniu 80 depoimentos, mais de 6 mil áudios e milhares de mensagens. 

Relembre o caso

Mãe Bernadete foi assassinada aos 72 anos, em agosto de 2023, dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (BA). Liderança da comunidade, ela atuava na defesa do território quilombola e denunciava problemas relacionados à violência na região.

Desde 2019, ela estava inscrita no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), após sofrer ameaças relacionadas à sua atuação na defesa do território e à luta por justiça pelo assassinato de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo. Binho também era liderança quilombola e atuava na defesa do direito à terra e ao território. Ele foi assassinado em 2017.

Embora a investigação e a acusação tenham apontado a oposição de Mãe Bernadete ao tráfico de drogas como elemento central para explicar o assassinato, a família da liderança também levantam a possibilidade de outras motivações. 

A hipótese apresentada está relacionada aos conflitos envolvendo empresários e fazendeiros que, segundo familiares e organizações, ameaçavam a autonomia e o direito ao território do Quilombo Pitanga dos Palmares. Em entrevista concedida à Revista Afirmativa em 2025, Jurandir Pacífico, filho de Bernadete, afirmou que “empresários e políticos poderosos estão por trás dessas mortes”.

Com informações de Correio 24 horas*

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