Por Luana Miranda
Uma semana antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, no dia 18 de outubro, a Justiça Eleitoral divulgou a mudança no local de votação de mais de 4.352 seções eleitorais. Desde então, esse número tem variado. Na última consulta realizada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela Revista Afirmativa*, 96 locais de votação e 324 seções haviam sido alterados. A justificativa oficial emitida pelo TSE declara que as mudanças são em razão de situações climáticas, problemas de infraestrutura dos prédios e questões de segurança pública.
O que, a princípio parecia fazer parte das dificuldades comuns que um país continental como o Brasil enfrenta para realizar uma eleição, nas circunstâncias atuais, tem se mostrado mais conflitivo do que o esperado. Após a divulgação das informações sobre a mudança nos locais de votação, comunidades quilombolas e tradicionais têm denunciado o grande impacto que essas alterações terão na garantia do direito ao voto e passaram a solicitar melhorias logísticas para facilitar o acesso às novas localidades.
Segundo informações divulgadas no perfil do Instagram da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), com as recentes atualizações, 30 seções ligadas a comunidades quilombolas foram afetadas. Cerca de 8 mil eleitores estão sendo diretamente impactados.
Para Thaíse Sá Santos, cientista social e política, professora da rede estadual da Bahia e integrante da Articulação Direito a Voto, a mudança de seções se coloca como um problema mais latente para regiões onde a internet ainda não é uma realidade constante.
“Uma das regiões do país mais afetadas foi o Nordeste, um território importante de votação do programa mais alinhado à esquerda. O que preocupa no momento é se todos esses eleitores estarão cientes dos seus novos locais de votação no segundo turno. Registramos o maior número de abstenções da história do país no 1º turno. Em vez de ajudar a reduzir esse índice, as mudanças poderão acentuá-lo ainda mais”, comentou.
A professora destaca que, em virtude das dificuldades com deslocamento e acesso à informação, têm surgido, em todo o país, organizações independentes e iniciativas populares para garantir o direito ao voto no segundo turno. “Estratégias diversas estão sendo criadas, a Articulação Direito ao Voto apostou na divulgação de informações pelo rádio, no incentivo para que as gerações mais novas ajudem as mais velhas, na orientação para votar nas primeiras horas do dia e nas caronas solidárias”, destacou.
Os locais de votação ainda podem ser modificados até o domingo, 25 de outubro, dia oficial da eleição. Segundo nota conjunta dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Ministro Nunes Marques, presidente do TSE, as alterações são variáveis porque os dados são encaminhados pelos cartórios eleitorais por meio do sistema Elo, e o TSE os divulga à medida que o sistema for alimentado.
O seu voto importa!
Apesar das possíveis dificuldades, votar é um direito constitucional e é a maior forma de exercer a cidadania em uma sociedade democrática. Por isso, confira o seu local de votação antes de sair de casa: acesse o e-Título ou consulte o site do TSE, clicando em Autoatendimento Eleitoral. Em caso de dúvidas, peça ajuda à pessoa mais próxima com acesso à Internet.
No dia da votação, não esqueça de levar um documento oficial com foto: e-Título (com foto); carteira de identidade (RG) física ou digital; Carteira Nacional de Habilitação (CNH); certificado de reservista; passaporte; carteira de trabalho apenas física ou outra carteira profissional reconhecida por lei. Não serão aceitos carteira de trabalho digital, certidões de nascimento ou de casamento (documentos que não possuem foto).
Escolha os primeiros horários da manhã para votar, caso não seja possível, as urnas abrem às 8h e fecham às 17h, no horário de Brasília (DF). Se você não votou no primeiro turno ou nas últimas duas eleições, você ainda pode votar neste segundo turno. Verifique sua situação eleitoral no e-Título ou no site do TSE.
É importante salientar que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou em outubro de 2023, na Resolução nº 23.751, do (TSE), a obrigatoriedade do passe livre nas viagens municipais e intermunicipais. A gratuidade do transporte público nos dias de votação é um direito que deve ser garantido pelo Poder Público. O transporte deve operar com a mesma regularidade dos dias úteis, caso contrário, poderá ser denunciado como crime eleitoral.
Contudo, o acesso ao transporte público ainda não é universal, principalmente em regiões onde estão localizadas comunidades remotas, ribeirinhas, comunidades quilombolas, rurais ou isoladas. Nesse sentido, Thaíse Santos alerta: “se articule com outras pessoas, ajude pessoas com dificuldade de acesso à internet a consultar o seu local de votação e desenvolva estratégias seguras de deslocamento até as seções eleitorais como as caronas solidárias ou deslocamento compartilhado”.
Em uma das eleições mais importantes dos últimos 20 anos no Brasil, cada voto importa! A pesquisa eleitoral mais recente do Datafolha, divulgada na última quinta-feira (22), apresenta empate técnico entre os dois candidatos ao segundo turno das eleições presidenciais: Entre os votos válidos, que excluem os votos brancos e nulos, Flávio Bolsonaro tem 50% e Lula, 50%. É preciso, coletivamente, superar as abstenções e ir às urnas votar. O seu voto faz a diferença!
* A última consulta ao site do TSE foi realizada no dia 23 de outubro de 2026, às 10h 04m.


