Akofena: Mulheres Negras e Indígenas em Defesa de Seus Territórios

Akofena é um adinkra que significa Espada de Guerra e é símbolo de coragem, valor e heroísmo. O símbolo ancestral dá nome a nossa série sobre Mulheres Negras e Indígenas que lutam para defender seus territórios

Por Jonas Pinheiro

Akofena é um adinkra que significa Espada de Guerra e é símbolo de coragem, valor e heroísmo. O símbolo ancestral dá nome a nossa série sobre Mulheres Negras e Indígenas que lutam para defender seus territórios. A ligação com a terra e o viver em comunidade é um valor antigo para as populações negras em diáspora e para os povos originários, que desde a chegada do branco europeu, vivem em luta e em guerra para proteger sua cultura e os seus povos, com um senso de comunhão e fraternidade que remete a quilombos e aldeias.

Nesta série a Afirmativa se desdobrou sobre histórias de mulheres que fazem de suas vidas uma luta constante para defender seus territórios e comunidades. Se suas ancestrais lutaram contra bandeirantes e colonos, hoje elas lutam contra especulação imobiliária, grileiros, madeireiros, o Estado genocida e higienizador, o racismo religioso e a imposição de uma sociedade cis-heteronormativa. Nos desdobramos sobre quatro histórias de ativismo e militância.

No Centro de Salvador, no bairro Gamboa de Baixo, que a cada dia mais se torna um famoso ponto turístico, Ana Cristina Caminha, descendente de uma família pesqueira e líder comunitária, luta há 30 anos contra o processo de gentrificação pelo qual passa a comunidade. 

Da Bahia aportamos no sertão de Pernambuco, entre os municípios de Tacaratu, Petrolândia e Jatobá, quase às margens do Rio São Francisco, para ouvir a voz de Elisa Urbano Ramos, mulher indígena do povo Pankararu, mestra e doutoranda e coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas na Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME).

Na vizinha Paraíba, é a vez de conhecer a história das irmãs gêmeas Rayssa e Rossana Holanda, que travam uma luta em defesa do Porto do Capim, comunidade ribeirinha localizada na capital do estado, João Pessoa. Lá, à frente do Ateliê Ibeji, as irmãs Holanda lutam pela permanência da comunidade que sofre com as tentativas de retiradas pelo Poder Público. 

Para finalizar, voltamos à Bahia. É a vez de conhecer Thiffany Odara, mulher trans, negra, yalorixá, pedagoga, ativista, mãe, educadora social, pesquisadora e assessora parlamentar. Com ela a noção de defesa por território assume um caráter transversal que perpassa pelos seus atravessamentos enquanto um corpo político. 

4 histórias e 5 mulheres, que têm em comum a origem de povos que desde muito tempo impunham as espadas cruzadas, a Akofena, e lutam para defender sua cultura e seus territórios dos ataques constantes dos colonizadores e seus descendentes. Como diz o provérbio Akofena, e com a licença “mais que poética” de adaptar e subverter a lógica de gênero do símbolo que é considerado masculino: “A guerreira que se aposenta terá sempre a espada do descanso real”. Nossas guerreiras estão sempre atentas…

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