Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Após três adiamentos, júri do caso de feminicídio de Tainara Santos tem nova data definida

Julgamento de George Anderson Santos, acusado pelo feminicídio da jovem quilombola, está marcado para 19 de agosto
Imagem: Divulgação

Texto: Divulgação*

Cerca de um ano e meio após o crime e depois de três remarcações, o julgamento de George Anderson Santos, pelo feminicídio de Tainara Santos, está marcado para 19 de agosto, no Fórum Augusto Teixeira de Freitas, em Cachoeira (BA).

A jovem de 27 anos saiu de casa no dia 9 de outubro de 2024 para encontrar George, que é ex-companheiro da vítima, e não foi mais vista. Naquele dia, Tainara foi vista na companhia do réu e de outros homens ainda não identificados, no Porto de Cachoeira.

George segue em prisão preventiva desde outubro de 2024. O acusado apresentou à polícia três versões diferentes sobre o que ocorreu no dia do crime. Apesar de o corpo não ter sido localizado, a investigação reúne elementos que sustentam a acusação de feminicídio, ocultação de cadáver, extorsão e descumprimento de medida protetiva.

A família de Tainara vive uma sequência de violências, que vai desde a perda da ente querida sem nem sequer poder enterrar a familiar, às constantes remarcações do júri. Itamara Santos, irmã de Tainara, destacou o impacto permanente para a família.

“Já se passou mais de um ano e a angústia permanece porque é um caso sem corpo. A gente sofre muito porque não sabe o que realmente aconteceu, nem onde ela está. Quero que o júri aconteça e que a gente tenha alguma resposta sobre o que ele fez com minha irmã, mesmo sem acesso aos restos mortais. O que fica é a dor que não passa e a sede de justiça.”

Joyce Souza, coordenadora do projeto Quilomba – Pela Vida das Mulheres Negras, do Instituto Odara, afirma que o júri de Tainara é “um passo considerável no acesso à justiça, principalmente se levar em conta as especificidades de um crime com ocultação do cadáver”.

A ativista também destaca a falha da Justiça na proteção à jovem e a necessidade de ampliar a perspectiva comum de justiça. “É importante considerar ainda que duas crianças perderam a mãe, uma mãe perdeu a filha, uma comunidade perdeu uma jovem quilombola que deveria estar sob proteção do Estado, pois ela recorreu aos órgãos competentes para tanto.”

A primeira data do júri popular do caso Tainara foi marcada para o dia 27 de novembro do ano passado. A segunda data marcada foi o dia 4 de dezembro, mas o julgamento foi adiado a pedido da defesa do réu. 

Lorena Pacheco, assessora jurídica do Instituto Odara, afirma que o caso evidencia falhas estruturais na proteção às mulheres em situação de violência. 

O Brasil registrou 1.571 casos de feminicídio em 2025, estabelecendo um recorde histórico, com média de quatro mortes por dia. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Mulheres negras são as mais atingidas, representando 65,1% das vítimas.

“A morte de Tainara poderia ter sido evitada se esses mecanismos fossem efetivos. Trata-se ainda de um crime sem corpo, em que o agressor tenta manter controle sobre a história da vítima ao ocultar seu paradeiro e produzir dúvida sobre sua responsabilidade.”

*Odara-Instituto da Mulher Negra

Compartilhar:

.

.
.
.
.