O projeto havia sido rejeitado pela bancada evangélica da Câmara Municipal, e discurso da vereadora Laina Crisóstomo (PSOL) gerou comoção nas redes sociais

Por Andressa Franco

Foi aprovado na tarde desta quarta-feira (15) o Plano de Cultura de Salvador. O projeto foi rejeitado pela bancada evangélica da Câmara Municipal da capital baiana no dia 1 de dezembro por conter trechos a respeito da comunidade LGBTQIA+. “Nesse plano que está pautado hoje, querem colocar o LGBT como cultura. Respeitamos a orientação sexual de cada um, mas a gente não tem como compactuar com algo como cristãos”, disse a parlamentar Débora Santana (Avante).

Durante a sessão, a vereadora Laina Crisóstomo [imagem de destaque] do PSOL, da mandata coletiva “Pretas Por Salvador”, discursou em reação à negativa e em defesa da matéria. E chegou a chorar ao relembrar o preconceito que já sofreu por ser lésbica. O discurso repercutiu nas redes sociais, provocando críticas à bancada evangélica, inclusive da apresentadora Xuxa Meneghel.

O Plano Municipal de Cultura e Plano Municipal de Infância e Juventude chegou à Casa e foi discutido em quatro audiências feitas pela Comissão de Cultura durante cinco meses. As reuniões aconteceram com a presença dos movimentos sociais, dos conselhos e organizações da sociedade civil. Mas, a votação foi adiada devido ao desacordo dos parlamentares conservadores. Postura criticada pela oposição, liderada pela vereadora Marta Rodrigues (PT), que celebrou nas redes sociais a conquista da aprovação.

“A aprovação do Plano de Cultura de Salvador mantendo as políticas públicas para as culturas LGBTQIA+ foi um marco na Câmara Municipal, pois conseguimos garantir direitos humanos, culturais, educacionais, de acesso à saúde e de cidadania previstos na Constituição para a população LGBTQIA+”, escreveu.

“Salvador é uma cidade rica e diversa em expressões culturais, e as culturas LGBTQIA+ existem e resistem, gerando renda, movimentando a economia, a democracia e a educação. Um dia histórico para nossa capital e para a cultura de Salvador em sua amplitude”, finaliza a vereadora.

Nesta segunda-feira (13), Crisóstomo deu atualizações sobre a tramitação do projeto em seu perfil no Twitter. E anunciou um ato em frente à Câmara para “mostrar que não só existe Cultura LGBT, mas nós LGBTQIAP+ existimos, que não somos só uma sigla, pagamos impostos, votamos e queremos políticas públicas”.

A parlamentar explicou que o plano terá vigência de 10 anos. E que, apesar de os planos terem chegado à Câmara pelo Executivo, ou seja, pelo prefeito Bruno Reis (DEM), a sua própria bancada impediu a tramitação sob o argumento de só aceitarem se houvesse a retirada da sigla LGBTQIA+.