O IDEAS – Assessoria Popular é a organização responsável por gerir o Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos na Bahia. O equipamento custa em média R$ 150

Por Andressa Franco

Imagem: Reprodução Bem Blogado

Pelos menos três das câmeras que deveriam vigiar a casa de Mãe Bernadete e estavam com problemas, não foram trocadas por falta de verbas. A declaração é de Wagner Moreira, coordenador do IDEAS – Assessoria Popular, organização responsável por gerir o Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos na Bahia, ao portal Uol.

O custo médio desse tipo de equipamento é de R$ 150. O orçamento total do programa é de R$ 1 milhão.

A Yalorixá e líder quilombola foi assassinada com 12 tiros no dia 17 de agosto, na Comunidade Remanescente de Quilombo Pitanga de Palmares, localizada em Simões Filho (BA). Ela estava inserida no Programa, mas segundo o filho da vítima os agentes da polícia iam ao local apenas por 20 ou 30 minutos por dia.

Das sete câmeras que monitoravam a casa, uma estava quebrada e duas filmavam o chão no dia da execução, uma delas despencou de uma árvore após ser atingida por um coco. As câmeras eram operadas pelo neto de Mãe Bernadete, e não estavam conectadas a nenhuma central de monitoramento. De acordo com a IDEAS, elas não estavam conectadas por receio de caírem nas mãos de pessoas envolvidas nas ameaças a Bernadete.

“Nós havíamos sido notificados disso, mas com o recurso que tínhamos disponível, priorizamos a instalação em outro território, que também estava com ameaça grave”, justificou Wagner. Apesar da baixa qualidade das imagens registradas pelas câmeras que estavam funcionando, o material ajudou no início das investigações, que levou à prisão de três suspeitos. De acordo com a Secretaria, um deles é suspeito de ser um dos executores do crime; outro é suspeito de guardar as armas do crime e preso por porte ilegal de arma de fogo; e o terceiro é suspeito de receptação dos celulares da líder quilombola e de familiares, roubados durante o homicídio.

O anúncio das prisões foi feito pelo Secretário da Segurança Pública (SSP-BA) Marcelo Werner no dia 4 de setembro. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) declarou em coletiva de imprensa na última segunda-feira (11) que as buscas pelo segundo executor continuam.

“A investigação vai apertar o suficiente para descobrir qual a motivação, se tem, e quem são os mandantes.”

O filho de Mãe Bernadete, Flavio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como ‘Binho do Quilombo’, também foi executado, em 2017. As investigações apontam para um crime motivado por disputas territoriais de áreas do quilombo, onde Binho também era uma liderança atuante. A titulação do território era uma das principais lutas da Yalorixá, e a polícia apura se o crime teve relação com o conflito fundiário.

De acordo com Jerônimo Rodrigues, o governo da Bahia tem discutido com a ministra Rosa Weber e os ministros da Justiça e da Casa Civil, Flávio Dino e Rui Costa, formas da polícia baiana ajudar a Polícia Federal nas investigações do assassinato de Binho.

O governador da Bahia também informou que depois da morte da Mãe Bernadete, a gestão estadual recebeu mais pedidos de proteção para outras comunidades quilombolas no estado.