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Casal de mulheres é agredido em São José do Rio Preto (SP) e vítima corre risco de perder a visão

Uma das vítimas afirma que agressão pode ter sido motivada por lesbofobia
Imagem: Arquivo Pessoal

Por Patrícia Rosa*

Na madrugada da última segunda-feira (30), a LGBTfobia fez mais duas vítimas. Um casal de mulheres foi agredido durante uma discussão no estacionamento de um restaurante, em São José do Rio Preto (SP). Uma das mulheres, de 33 anos, teve o olho esquerdo atingido e corre risco de perder a visão.

A namorada da vítima, de 41 anos, que preferiu não se identificar, relatou ao Portal G1 que a companheira foi atacada com socos e teve um copo quebrado em seu rosto. A mulher, que também foi agredida, contou que elas estavam comendo no restaurante quando o homem passou a intimidá-las e implicar com o casal. Segundo a vítima, elas não conheciam o agressor, não olharam para ele durante o jantar e, ainda assim, sofreram provocações e agressividade, principalmente contra sua companheira, que não performa o padrão de feminilidade.

“Assim que chegamos, ele já começou a implicar com a gente. Não estávamos nem olhando para ele, mas, mesmo assim, ficou provocando, principalmente por ela ser mais ‘masculina’. Só pode ser homofobia, porque não tem outra explicação para implicar com duas pessoas que estavam apenas conversando”, explicou.

De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, o caso foi registrado como lesão corporal e está sob investigação do 7º Distrito Policial de São José do Rio Preto. A polícia não respondeu aos questionamentos sobre a atual situação do agressor, alegando que a informação ainda está sendo apurada.

A namorada da vítima atingida no olho também desabafou sobre a situação da companheira: ela precisará ficar em repouso, terá gastos com medicamentos e não poderá trabalhar. “Nós sentamos lá para comer uma porção e olha o que aconteceu.”

De acordo com números do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em 2023, o Brasil registrou 5.036 violações de direitos contra mulheres lésbicas em apenas 8 meses. 

O estudo “Lesbocídio: o estudo dos crimes de ódio contra lésbicas no Brasil” aponta que o Estado não colabora para a tipificação desses crimes de ódio como deveria, sendo uma entidade promotora da lesbofobia, que reproduz valores patriarcais. 

A ausência de reconhecimento institucional da lesbofobia também se reflete na produção de dados oficiais. Segundo a pesquisa, não há sistematização estatal sobre a violência contra lésbicas, o que contribui para o apagamento desses casos. Na prática, grande parte dos registros depende de dossiês independentes e organizações da sociedade civil, evidenciando a fragilidade do monitoramento público sobre esse tipo de violência. 

*Com informações do Portal G1

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