Por Jamile Novaes
Uma operação policial realizada no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador (BA), terminou com uma criança de 11 anos morta na madrugada da última sexta-feira (1º). Davi Luiz de Jesus Ribeiro estava dentro da própria casa quando foi atingido por disparos de arma de fogo. Uma tia do menino também ficou ferida durante a ação.
A Polícia Militar da Bahia (PMBA) alega que houve um confronto com homens armados, que teriam entrado na casa do garoto durante uma suposta troca de tiros. Familiares e vizinhos de Davi, no entanto, realizaram um protesto na Avenida Vasco da Gama, na manhã de sexta-feira, poucas horas após a morte do menino, e vêm questionando a abordagem policial na comunidade.
“É todo mundo que mora em comunidade que é bandido? Chega. Tem que acabar com isso”, afirmou uma familiar em entrevista ao telejornal Bahia Meio Dia, da Rede Bahia. “Assassinos de farda, covardes! A população ‘tá’ com medo dos assassinos de farda”, denunciou uma vizinha.
Ativistas e organizações de movimentos sociais também têm cobrado a devida apuração do caso e a responsabilização do Estado pela morte da criança: “A tragédia levanta um questionamento urgente e inescapável: a polícia protege quem?”, questiona uma publicação do Odara – Instituto da Mulher Negra nas redes sociais.
De acordo com dados do Instituto Fogo Cruzado, levantados entre janeiro e novembro de 2025, a cidade de Salvador registrou 501 mortes decorrentes de operações policiais. Dentre as vítimas, 11 eram adolescentes. Apenas 53% das pessoas mortas tiveram a raça identificada e todas elas eram negras.
A morte de Davi está sob investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que deve apurar de onde saiu o disparo que vitimou o menino. Além de Davi, dois homens apontados pela polícia como suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas também foram mortos. Um terceiro homem foi preso.


