Por Patrícia Rosa*
Conceição Evaristo será a primeira mulher negra a receber um título de Doutora Honoris Causa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A homenagem foi aprovada na última terça-feira (04), durante sessão do Conselho Universitário (Consu).
A proposta partiu do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). O bioquímico uruguaio Rafael Radi também teve a honraria aprovada. As datas das cerimônias de entrega dos títulos ainda serão marcadas.
Durante a sessão, os participantes destacaram a relevância da autora para a literatura brasileira. O reitor institucional, Paulo Cesar Montagner, destacou que aquele era um momento muito valioso.
Segundo o coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, o reconhecimento também reflete a contribuição da escritora para a reflexão sobre as relações raciais no Brasil. “A homenagem ganha um significado especial ao reconhecer uma intelectual negra em um contexto marcado pelo apagamento histórico da produção intelectual da população negra”, afirmou o professor, que ainda usou como exemplo o embranquecimento da imagem do escritor Machado de Assis ao longo da história.
Para o diretor do IEL, o professor Petrilson Alan Pinheiro da Silva, a escritora é uma referência para gerações de leitores, especialmente para aqueles que historicamente não se viam representados na literatura brasileira.
A concessão do título foi celebrada por nomes como o da deputada estadual e ex-ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania Macaé Evaristo (PT-MG). “É um reconhecimento, ainda que tardio, de tudo que ela representa: a escrevivência, a ancestralidade e a força das mulheres negras. Viva nossa imortal mineira! Viva Conceição!”, escreveu em suas redes sociais.
Conceição Evaristo
Conceição Evaristo tem 79 anos, e nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ela é reconhecida como um dos principais nomes da literatura brasileira. Em 2024, foi eleita imortal da Academia Mineira de Letras (AML) e passou a ocupar a cadeira de número 40.
A autora é conhecida por suas obras que abordam a realidade das pessoas negras, com destaque para as mulheres negras e o combate ao racismo. Entre os livros escritos por Evaristo estão “Ponciá Vicêncio” (2003), “Becos da Memória” (2006), “Insubmissas lágrimas de mulheres” (2011), “Olhos d’água” (2014) e “Canção para ninar menino grande” (2018).
Evaristo coleciona prêmios em sua trajetória, como o Prêmio Camélia Liberdade (2007), Prêmio Ori (2007) e Prêmio Jabuti (2015). Em 2023, tornou-se a primeira mulher negra a receber o Prêmio Intelectual do Ano – Troféu Juca Pato.
Em 2025, o grupo Racionais MC’s recebeu o título de doutor honoris causa. A homenagem proposta pelo reconhecimento do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (IFCH), reconheceu a relevância social, intelectual e histórica do grupo para a comunidade negra.
*Com informações do Jornal da Unicamp


