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Congolês é morto por seguranças de loja durante abordagem violenta na Irlanda

Comparada ao assassinato de George Floyd, a morte de Yves Sakila gerou uma onda de protestos na Irlanda
Imagem: Divulgação / Redes Sociais

Por Jamile Novaes*

Sob a acusação de furtar uma loja no centro de Dublin, capital da Irlanda, um congolês, identificado como Yves Sakila, foi detido e imobilizado por cinco seguranças do estabelecimento, em uma rua movimentada da cidade. A ação, que levou à morte da vítima, durou cerca de cinco minutos e foi registrada em vídeo. Nas imagens, é possível ver os agressores sobre o corpo do homem, usando, inclusive, os joelhos para pressionar sua cabeça e pescoço contra o chão.

De acordo com informações concedidas pela imprensa irlandesa ao Globo News, a polícia foi chamada para atender a ocorrência, mas teria encontrado Yves já desacordado. Não reagindo à tentativa de reanimação, ele foi enviado a um hospital da região, mas não resistiu.

A morte do congolês gerou uma onda de protestos na Irlanda, levando o primeiro-ministro Micheál Martin a pedir uma investigação completa do caso. O episódio vem sendo comparado ao assassinato de George Floyd, homem negro sufocado até a morte por um policial branco nos Estados Unidos em 2020.

Yves nasceu na República Democrática do Congo e vivia na Irlanda desde 2004. À CNN Brasil, um ex-colega de classe o descreveu como uma pessoa tímida e contou que ele trabalhava na área de Tecnologia da Informação (TI) e que, recentemente, teria passado a viver em situação de rua.

A vereadora Yemi Adenuga – primeira mulher negra eleita para ocupar um cargo político no país – criticou a atuação do governo diante do aumento da população imigrante. Para ela, que também é representante da Black Coalition Ireland, a falta de políticas efetivas de integração configura “uma receita para o caos, a anarquia e a apatia”.

Movimento anti-imigração

Durante os últimos anos, o movimento anti-imigração tem crescido e realizado manifestações de forma recorrente na Irlanda. Em outubro de 2025, um grupo formado por cerca de 500 pessoas realizou um protesto que terminou com vandalismo, agressão contra agentes de segurança e um carro da polícia em chamas. Na ocasião, 23 manifestantes foram detidos.

Os ataques verbais e físicos motivados por racismo e xenofobia também têm sido praticados contra brasileiros que vivem no país. Em 2024, enquanto trabalhava como entregador na cidade de Cork, o goianiense Alexandre Athos, de 24 anos, foi perseguido por mais de 10km, atropelado e agredido por um grupo de jovens irlandeses. 

“Eles se aproveitam do fato de que nós [imigrantes] estamos mais afastados das leis e não somos vistos pelas autoridades da mesma maneira que os nativos”, afirmou Alexandre ao O Globo. O ataque resultou em uma semana de internação.

*Com informações de Globo News, O Globo e CNN Brasil.

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