Por Catiane Pereira*
A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) praticou ‘blackface’ durante seu discurso no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), nesta quarta-feira (18), ao se pintar de preto enquanto criticava a presença de mulheres trans em espaços políticos. A prática, historicamente associada à ridicularização de pessoas negras, é racista.
Durante a fala, a parlamentar afirmou que a encenação seria uma forma de argumentar que pessoas trans “não são mulheres”. Ao cometer o crime, questionou se, ao alterar a aparência, passaria a compreender as experiências de pessoas negras. Em seguida, fez uma analogia para sustentar críticas à atuação de mulheres trans em pautas relacionadas aos direitos das mulheres.
O discurso incluiu menções à deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP), que preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. Fabiana Bolsonaro afirmou que mulheres trans estariam “ocupando espaços” destinados a mulheres cisgênero — argumento amplamente contestado por especialistas e movimentos sociais por reforçar exclusões e desconsiderar identidades de gênero.
A reação foi imediata. A deputada estadual Ediane Maria anunciou que apresentará representação no Conselho de Ética da Alesp por quebra de decoro parlamentar, além de acionar o Ministério Público para investigar os crimes de racismo e transfobia.
Nas redes sociais e durante a transmissão da sessão, usuários classificaram o episódio como criminoso e repudiaram o uso do plenário para a encenação. Expressões como “racismo não é liberdade de expressão” e “blackface é crime” estiveram entre as reações.
Blackface
O blackface tem origem no século XIX, especialmente nos Estados Unidos, onde atores brancos pintavam o rosto de preto para interpretar caricaturas racistas de pessoas negras em espetáculos. A prática ajudou a consolidar estereótipos desumanizantes, associados à inferiorização e à negação de direitos. No Brasil, também esteve presente em manifestações culturais e no entretenimento, sendo alvo de críticas por seu caráter discriminatório.
No caso ocorrido na Alesp, a encenação também se insere em um contexto mais amplo de discursos que questionam identidades de gênero e a participação de pessoas trans na política institucional.
*Com informações de G1


