Por Luana Miranda
João Marcelo Araújo Hermano, cabo da Polícia Militar da Bahia (PMBA) e principal suspeito pelo assassinato de Celeste Martins Oliveira do Nascimento, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva no último domingo (5). O caso é registrado pela 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS) como feminicídio e segue em investigação.
Segundo informações divulgadas em reportagem pela TV Bahia, Celeste Nascimento, de 39 anos, que também era cabo da PM, foi baleada na nuca, na última sexta-feira (3). O crime aconteceu enquanto ela estava sentada no sofá do próprio apartamento, no bairro do Barbalho, em Salvador (BA).
O então suspeito do feminicídio era marido da vítima e se apresentou acompanhado por uma advogada na Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). Na ocasião, o policial foi autuado em flagrante, mas, após passar por audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva.
O corpo da vítima foi sepultado no sábado (4), no Cemitério Bosque da Paz. Ainda segundo a TV Bahia, os familiares se mostraram surpresos e abalados com o crime e alegaram que não tinham conhecimento de atritos entre o casal. Celeste e João Marcelo trabalhavam juntos na área de inteligência da polícia e estavam casados há dois anos.
De acordo com dados organizados e divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o primeiro semestre de 2026 foi marcado pelo recorde no registro de feminicídios no Brasil. Nos três primeiros meses do ano foram computados 399 casos, equivalente ao assassinato de uma mulher a cada 5 horas e 25 minutos no país. Um aumento percentual de 7,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em fevereiro deste ano, um caso de feminicídio similar ganhou repercussão nacional. O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso pelo assassinato da também policial e esposa, Gisele Alves Santana. O crime aconteceu no apartamento do casal, em 18 de fevereiro, no bairro do Brás, em São Paulo (SP).
Gisele foi assassinada com um tiro na cabeça. Geraldo tentou alegar que a policial havia cometido uma tentativa de suicídio. Contudo, a perícia identificou que, pela trajetória e profundidade dos ferimentos, outra pessoa teria realizado o disparo. O tenente-coronel se encontrava no apartamento e passou a ser o principal suspeito, sendo preso algumas semanas depois do crime.
Como denunciar a violência
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados de qualquer lugar do Brasil através da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas. As denúncias também podem ser feitas por meio de chat no Whatsapp (61) 9610-0180. Em caso de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.
“Metendo a colher”
Ao final do ano passado, a Revista Afirmativa realizou uma série de entrevistas com mulheres negras, abordando a violência de gênero e o feminicídio. O conteúdo traz informações sobre prevenção, denúncia e abre espaço para imaginar um mundo onde as mulheres vivam livres do medo. Os vídeos estão disponíveis no perfil @revistaafirmativa no Instagram.

