Por Patrícia Rosa

 

A ação conjunta entre educadoras baianas e o Odara – Instituto da Mulher Negra fez nascer a primeira edição do Julho das Pretas nas Escolas. As ações levam para as instituições de ensino as celebrações dos 25 de Julho  – Dia da Mulher Negra Latino-americana, Caribenha e da Diáspora, e debate com centenas de estudantes sobre as lutas históricas e diárias das mulheres negras.

Na agenda organizada pelo Odara, são 21 ações, durante todo o mês de julho até 21 de agosto, em escolas da rede pública e privada, creches e Universidades, com a rodas de conversas, mostra de filmes para os estudantes, caminhadas nos bairros, gincanas de conhecimentos, entre outros. Valdecir Nascimento, a historiadora e coordenadora executiva do Odara, fala da importância do Julho das Pretas nas escolas: “É parte de uma estratégia para influenciar os colégios, na perspectiva de aprofundar as reflexões em torno da Lei 10.639. Além disso, nós temos um conjunto de meninas jovens e adolescentes que tem sido influenciadas de forma crescente pelo movimento de mulheres negras, seja na sua estética ou na sua postura”, aponta Valdecir.

A ativista do Odara aponta sobre a importância do movimento social estar nas escolas para fazer o diálogo com os estudantes sobre o que é ser mulher negra numa sociedade estruturada pelo racismo, sexismo e LGBTfobias. “Isso ajuda a despertar o interesse por auto reflexões sobre o que é ser jovens e meninas negras, quais são as expectativas e para onde elas podem seguir”.  Valdecir Nascimento aponta que na medida em que ocorre o dialogo com as estudantes, as professoras também são influenciadas a perceber como o racismo atua Brasil na sua sala de aula e montar estratégias de enfrentamento.

A ativista ainda fala sobre a importância das educadoras que persistem por uma educação antirracista  “Quero agradecer de antemão, às corajosas professoras que estão na a sala de aula com nossos meninos e meninas todos os dias tentando fazer diferente e que não desistiram, acreditam que o Brasil pode ter uma democracia racial” Diz Nascimento.

No Bairro do IAIPI, em Salvador, o Colégio Estadual Celestino Magalhães realizará a atividade “Os braços que sustentam uma comunidade: Mulheres Negras da Divineia”, no dia 17 de maio. A roda trata da importância das mulheres da região, com o acolhimento e troca de experiência com os alunos do 9º ano ao ensino médio do colégio.

Marcia Paim, professora da instituição, comenta a importância da agenda na escola “O Julho das  pretas  em qualquer espaço  é  de total  importância, nas escolas, sobretudo as de periferias,  abre  um leque  de oportunidades para inserção das discussões   sobre  mulheres  negras, memórias, histórias de vida, identidades,  dentre outras  temáticas que obrigatoriamente tem que  compor os currículos  como eixo  estrutural, além de  intensificar os diálogos  entre a comunidade  escolar e a sociedade entorno dela”.

Roda de Conversa com os Alunos do Colégio Estadual Helena Celestino Magalhães.

As questões étnico-raciais ainda são negligenciadas nas salas de aulas, apesar da existência e popularidade da Lei 10639/03 que torna o ensino de História da África e dos africanos obrigatório. Para a professora de língua portuguesa da Escola Municipal Luiza Mahim, Louise Conceição, a ida do Julho das  Pretas  às escolas funciona como um despertar.“É uma forma de professoras repensarem o fazer pedagógico considerando as questões étnico-raciais e de gênero, para que funcione como abertura do espaço para uma prática docente  para além do Julho. Apesar da existência lei 10639, ainda existe uma lacuna muito grande, que tem ligação com a falta de reforço para trabalho desta temática, de capacitação dos professores para trabalhar com esses assuntos”.

A educadora ainda cita a importância dos eventos para a representatividade racial dos estudantes. “É importante também porque os alunos das escolas públicas são majoritariamente negros, que não se veem nos livros e isso contribui para a construção de consciência e identidade” diz a professora Louise.

A ação do Julho das Pretas nas escolas ainda estimula a participação das comunidades escolares na Marcha das Mulheres Negras por Uma Bahia Livre, 3ª edição da Marcha no dia 25 de Julho.

Confira a agenda completa do Julho das Pretas nas Escolas:

AQUI