Por Andreza Anjos* / Imagem: José Cruz (AB)

 

O bolsonarismo é um estilo de vida que milhões de brasileiros estão aderindo como resistência a formulação de civilidade. O bolsonarismo vem ao modo brasileiro como na época da colônia e do império. É tosco, é medíocre, é incoerente porque abarca pessoas não brancas, mas como a KKK, ele tem objetivo muito bem definido, e não importa se o sujeito realmente é ariano e cristão, nem mesmo precisa provar, o que importa é aderir a ideia e fazer disso o seu modo de vida. Os esqueletos dos homenes bons que afirmavam em suas ideias que a colônia do Brasil era terra propícia ao pecado, um lugar de animalidade e bestialização generalizada e um conjunto de pessoas que jamais chegariam ao nível de povo, o lugar da não humanidade, devem estar se revirando nos túmulos de felicidade em provar que estavam certos até algum nível.

Este estilo de vida reúne todas as escórias que em épocas coloniais e imperiais, com certeza seriam os degredados, deserdados, decapitados ou esquartejados. É como se fosse uma cruzada, na qual um rei faz uma multidão lutar, mas cada um em causa própria.

É pitoresco um movimento conjunto onde absolutamente ninguém tem empatia com o outro que caminha do lado com a mesma bandeira. Parece que eles estudaram a cartilha capitalista e resolveram fazer uns covers das lutas sociais para dar um ar de sarcasmo mais escandaloso.

A sujeição ao Norte Global como única possibilidade é como um vestido novo em uma menina suja, todos vêm que precisa de algo mais, mas a menina saltita com o vestido e não sente o próprio mau odor. Os bolsonaristas continuarão após Bolsonaro, e canalhas com instituto sádico a cá não faltam para dar continuidade ao estilo de vida que aquilo que se apelida de brasileiro médio sempre esperou. Foi de fato o despertar do gigante, e ninguém quis acreditar que o próprio retrato disso seria alguém tão medíocre, incompetente e canalha. Ora, esperavam um intelectual como Michel Temer para se prestar a isso? Jamais, para que o bolsonarismo desse certo como deu precisa ter aquilo lá que o movimento social aprendeu e gostou, a tal da identidade. Mas quem precisa se identificar é porque é diferente não é mesmo? Então aqui, essa grande ilha brasilis foi destinada pra essa escória, pedófilos, ladrões, charlatões… e por falar em charlatanismo, nada melhor para a era do conhecimento e informação que falsificar alguns títulos importantes, teve cabra dizendo ser formado em Havard e outro dizendo que trabalhava no SUS antes mesmo de acontecer, um herói nacional dos tempos mais tenros foi barbeiro mas fez fama por arrancar dentes ilegalmente.  Moral e os bons costumes são coisa que eles nunca souberam o que é nem pra que serve, mas era o que era preciso encenar de qualquer forma para a coroa do norte não lhes proferir ‘teje preso’. De mesma forma a cristandade, era só um mecanismo de desviar atenções e continua sendo.

O bolsonarismo é o retrato fiel do que essa terra condenada é: mestiços cheios de vícios e más condutas. Se no passado eles ascenderam dos crimes de lesa coroa, porque não ascende agora dos crimes de lesa pátria? E os títulos de nobreza que passaram a ser vendidos, agora seriam ‘o toma lá da cá’ entre ministérios e partidos. Fake news já fazia efeito com conversa de porta de venda e mexerico de fundo de capela, o celular só potencializou a capacidade desses desprovidos do sentimento de nação. O que esse grupo sempre quis e ainda quer é espalhar o terror com horror e desordem, e pra eles nada nunca custará alguma coisa.

 

* Andreza Anjos é quilombola, professora de ciências, mãe,  candomblecista e pesquisadora em filosofia africana.