Por Andressa Franco, com contribuições de Patrícia Rosa

Imagem: PSOL

Na última terça-feira (5), Jhonatas Monteiro (PSOL), vereador na cidade de Feira de Santana, na Bahia, recebeu ameaças através de mensagens de celular feitas de um número desconhecido. As ameaças fazem referência à ocupação da prefeitura municipal nos dias 31 de março e 1 de abril por parte de professores, estudantes e militantes, motivada pela greve dos trabalhadores da educação da rede municipal.

A ocupação da sede foi marcada por vídeos que mostram a Guarda Municipal entrando no local e agredindo com cassetete e spray de pimenta os manifestantes. Monteiro, que é professor de História, e foi eleito em 2020 como o vereador mais votado da história do município, acompanhava os protestos para mediar as tentativas de negociação com o governo do prefeito Colbert Martins (MDB). Mas acabou sendo também alvo das agressões, sofrendo escoriações no corpo, além da quebra parcial de um dente.

O parlamentar registrou um Boletim de Ocorrência não só por essas agressões, mas também denunciando as que foram sofridas pelo seu assessor Rafael Moreira, espancado e levado da prefeitura pela Guarda Municipal durante a ocupação.

As mensagens recebidas pelo vereador expõem informações pessoais dele e de seus familiares, acompanhadas de ameaças à sua integridade física.

“Na quinta-feira (7) registramos ocorrência do crime de ameaça e está sendo investigada a autoria das mensagens do número desconhecido”, informa a advogada do mandato e presidenta da Comissão de Direitos Humanos da OAB do município, Mariana Rodrigues.

Foram oficiados os comandos das polícias Militar (Comando de Policiamento da Região Leste – CPRL) e Civil (Coordenadoria Regional de Polícia Civil – COORPIN), assim como o Ministério Público Estadual da Bahia e o Ministério Público Federal. Jhonatas também informou que medidas já estão sendo tomadas para garantir sua segurança pessoal e de seus familiares, assim como de membros do seu mandato.

O mandato interpreta as ameaças como inseridas no aumento da violência política no Brasil, especialmente nos últimos anos, que vem atingindo sobretudo parlamentares negros e negras. E por isso foram acionados também organismos nacionais e internacionais de garantia dos Direitos Humanos, como a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM), Anistia Internacional, Conselho Nacional dos Direitos Humanos, Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, dentre outros.