Por Luana Miranda
Na última segunda-feira (24), o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) protocolou uma denúncia no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) contra o agente de segurança Vinicius Vieira Moraes. O policial militar foi acusado de assassinar Eduardo de Castro Ornellas, jovem megro de 26 anos, durante uma perseguição policial, no município de São Gonçalo (RJ).
O crime aconteceu no dia 31 de maio deste ano, a vítima estava pilotando uma moto e levava a namorada na garupa. O casal sofreu uma abordagem policial, Eduardo acelerou e ambos caíram da moto. A jovem, que estava ferida, permaneceu no local da abordagem enquanto Eduardo seguiu em fuga a pé. Vinicius e demais policiais que estavam na operação passaram a perseguir o jovem que, logo em seguida, foi atingido por dois disparos.
De acordo com as imagens, perícias e depoimentos colhidos pelo MPRJ, Eduardo estava de costas, a pé e desarmado quando foi alvejado, situação que impossibilitou reação ou defesa. Durante a perseguição, o agente de segurança chegou a gritar algumas vezes “vai morrer”, antes de atirar. Os dois disparos atingiram o jovem, um deles na região do pescoço ocasionando um ferimento fatal. O próprio Vinicius admitiu ter efetuado os disparos.
A denúncia foi recebida pela 4ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo. No inquérito, o policial militar é acusado de homicídio qualificado, pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, e por empregar arma de fogo de uso restrito. O agente já foi afastado das atividades operacionais armadas após pedido do GAESP/MPRJ.
O crime que ocasionou na morte de Eduardo é uma violência frequente nas ruas do país. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2025, o Brasil registrou em média 18 mortes decorrentes de intervenção policial por dia. O recorte racial das vítimas aponta que a letalidade policial entre pessoas negras é 3,5 vezes maior do que entre pessoas brancas. O relatório ainda aponta um crescimento de 3,5% da letalidade policial em relação ao ano anterior. Em contrapartida, o índice permaneceu o mesmo para brancos.


