Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Festival de música negra do DF divulga programação apenas com artistas brancos

Diretor do evento se defende das críticas afirmando que houve um equívoco e que os artistas brancos estariam sendo vítimas de “racismo inverso”
Festival de música negra do DF divulga programação apenas com artistas brancos
Festival de música negra do DF divulga programação apenas com artistas brancos

Por Jamile Novaes*

Durante a última semana, um flyer do Festival Melodya gerou uma série de críticas nas redes sociais. O evento, que compõe a grade do Festival de Música Negra do Distrito Federal, divulgou uma programação composta exclusivamente por artistas brancos. Nomes como Melody e MC Jhey estavam entre os artistas anunciados para os shows que aconteceram entre os dias 24 e 26 de abril, em Ceilândia (DF).

Produzido pela Associação Brasiliense de Promoção à Cultura, Diversidade e Formação (ABC-DF), o festival foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (Pnab), na categoria “Festivais e mostras locais de música exclusivos para pessoas negras”, com um aporte financeiro de R$700 mil para a realização. 

Em entrevista ao portal Notícia Preta, Luciano Garcia, da ABC-DF, afirmou que o Festival de Música Negra contratou apenas artistas negros e que os artistas brancos que se apresentaram no Festival Melodya não teriam recebido cachês pela realização dos shows. Ele afirmou ainda que a ideia de ter artistas mais conhecidos participando do evento, tinha como objetivo atrair visibilidade para os artistas negros selecionados pelo projeto.

“O que está acontecendo agora, infelizmente, é que as pessoas estão se mobilizando por um racismo inverso, dos negros contra brancos”, afirmou Luciano ao Notícia Preta, referindo-se às críticas que o evento tem recebido. 

Cabe ressaltar que o racismo é um fenômeno social perpetuado pela branquitude contra pessoas negras e outros grupos étnicos durante séculos. Ele opera através do controle sobre as instituições, da desumanização, de práticas violentas, da discriminação baseada em fenótipos e em diversas outras esferas. Falar em racismo “inverso” ou “reverso” esvazia a complexidade desse fenômeno, já que pessoas negras não têm sob o seu domínio uma estrutura que permita nenhum tipo de opressão sistêmica contra pessoas brancas. Saiba mais aqui.

Pronunciamento do Festival

Em nota, o Festival de Música Negra afirmou se tratar de uma colaboração espontânea da produtora e dos artistas envolvidos. “A proposta dessa união foi justamente reforçar a mensagem de que a luta antirracista é uma responsabilidade de toda a sociedade, envolvendo pessoas de diferentes origens e cores, atuando juntas pelo respeito, equidade e justiça.”

A nota destaca ainda que durante o festival houve apresentações de artistas negros, como Samba da Guariba, Café com Samba, Canto das Pretas, DJs Chokolaty e Ketlen, Makéna e Saphira. No entanto, nenhuma dessas atrações aparece no flyer de divulgação do evento.

Ao portal Metrópoles, a produtora cultural brasiliense May apontou a contradição envolvendo a grade artística do Festival de Música Negra e pontuou que, enquanto alguns grupos lucram com a cultura negra, as pessoas negras que realmente constroem a cena artística permanecem sem espaço e visibilidade, por não acessarem os mesmos recursos financeiros. 

“Cultura negra não é tendência. É vivência, história e resistência. E ignorar os próprios protagonistas não parece falta de opção, parece escolha. Se a proposta é falar de música negra, o mínimo é coerência. Representatividade não é favor, é responsabilidade”, afirmou a produtora, que é responsável por projetos como SintoSoul, AfroKinda e Black Beats DF.

Com informações de Notícia Preta e Metrópoles*

Compartilhar:

.

.
.
.
.

plugins premium WordPress