Texto: Divulgação
Ações e operações policiais em Salvador (BA) e Região Metropolitana registraram 56% dos tiroteios no primeiro semestre de 2026, de acordo com o relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado. De janeiro a junho, foram contabilizados 656 tiroteios, o equivalente a uma média de quase quatro ocorrências por dia, dos quais 366 ocorreram durante ações e operações policiais. Este foi o maior percentual de ocorrências envolvendo agentes de forças de segurança contabilizado pela série histórica do Instituto, que realiza o monitoramento desde 2022.
O número de tiroteios é superior ao observado nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro (47%), Belém (45%) e Recife (9%).
Segundo dados da organização, divulgados na última quarta-feira (29), 93% das chacinas ocorridas no primeiro semestre de 2026 aconteceram durante ações policiais, que também concentraram 94% dos mortos registrados nesses episódios.
O período é marcado pelo recorrente agravamento da violência armada na região Só no primeiro semestre deste ano, foram 14 chacinas, sendo que 13 delas ocorreram durante operações policiais, deixando 49 mortos.
Tailane Muniz, Coordenadora Regional do Fogo Cruzado na Bahia, avalia que a letalidade policial permanece elevada e, ainda que o governo comemore minúsculas reduções, o tempo passa e a realidade é a mesma.“A lógica do confronto segue estruturando a atuação do Estado sem efetividade para proteger a população e, de fato, fazê-la se sentir mais segura.”
Número de vítimas
No total, 637 pessoas foram baleadas durante o semestre. Destas, 53,4% foram atingidas durante ações das forças de segurança.
O relatório ainda aponta que, no primeiro semestre de 2025, não houve registros de crianças baleadas em ações policiais. Neste ano, ao menos duas foram atingidas. Entre adolescentes, o número de vítimas baleadas em ações policiais cresceu 36%, alcançando o maior patamar da série histórica.
Dos bairros mais atingidos, o Complexo do Nordeste de Amaralina e Pirajá concentraram parte significativa das ocorrências, reunindo 37% das mortes em chacinas policiais registradas no período.
“As chacinas policiais ainda são um marcador de destaque da violência armada na região metropolitana e, nesse primeiro semestre, preocupa a situação do Nordeste de Amaralina. Chacinas policiais integram a dinâmica cotidiana da segurança pública da Bahia, e isso coloca a população na linha de tiro, impacta no funcionamento de escolas e outros equipamentos públicos”, completa Tailane Muniz.
Aumento de pessoas baleadas dentro de suas residências
Os casos de pessoas vítimas de armas em suas casas cresceram 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. Do total do número de pessoas atingidas, 81 foram baleadas quando estavam em suas residências este ano.
Uma dessas pessoas foi o menino Davi Luiz de Jesus Ribeiro, de 11 anos. Ele foi baleado dentro de casa, na madrugada do dia 1º de maio deste ano, quando acontecia uma operação policial no bairro do Engenho Velho da Federação. Uma tia do menino também ficou ferida durante a ação.

