Por Patrícia Rosa*
Após a proibição da oferta e da publicidade das bets, em setembro deste ano, o Brasil viveu uma mudança no cenário do consumo de alimentos. Segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (28) pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), as vendas no setor alimentício aumentaram 6,5% entre os dias 5 e 11 de outubro e 6,3% na semana seguinte, em comparação com os mesmos períodos do ano passado.
A associação destaca que a decisão ocorreu por meio da Medida Provisória 1394/2026, contribuiu para o aumento do consumo nos lares brasileiros. “Especialmente na cesta de produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café. Este avanço ocorre em todos os canais do varejo alimentar, abrangendo supermercados, atacarejos, mercearias e demais formatos.”
Durante a primeira semana da pesquisa, a região Sul do país, os estados de Minas Gerais e Espírito Santo e o interior do Rio de Janeiro registraram expansão no consumo de 10,6% na compra da cesta básica. No Nordeste, o aumento foi de 6,5%, enquanto o interior de São Paulo registrou 5,6%, a Grande Rio de Janeiro, 4%, e a região Centro-Oeste, 3,6%. A Grande São Paulo apresentou o menor índice de 1,2 %.
Na segunda semana, os índices de crescimento foram menores. A região Sul registrou 9%; Minas Gerais, Espírito Santo e o interior do Rio de Janeiro, cerca de 7%; a Grande Rio de Janeiro, 6%; o interior de São Paulo e a Grande São Paulo, respectivamente, 5,6% e 5,5%. No Nordeste, o aumento foi de 4,5%, e no Centro-Oeste, de 3,5%.
A Abras ainda aponta que os dados estão relacionados a uma possível mudança no destino do dinheiro dos consumidores.
“Estes números têm forte relação com dados públicos do Banco Central do Brasil que mostram uma redução imediata de 10% no número de transações em Pix no país quando as bets foram proibidas; atualmente, esse número está em 7%.”
Ao portal UOL, Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias), rebateu essa interpretação. Ele afirmou que o aumento da aquisição de alimentos em supermercados não tem relação com a proibição das bets. Para ele, os dados demonstraram apenas que o supermercado vendeu mais.
“Transformar uma coincidência de duas semanas em prova de causalidade é estatística de ocasião, não análise econômica. […] Atribuir o crescimento do varejo exclusivamente à proibição das bets, sem controlar o efeito desses pagamentos, é metodologicamente insustentável.”
*Com informações da Agência Brasil e do Portal UOL.


