Por Andressa Franco

Imagem: Reprodução

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou o Projeto de Lei que propõe retirar o nome de um bandeirante e substituir por Zumbi dos Palmares em uma rua da cidade.

A Rua Jorge Velho está localizada no bairro de Bom Retiro, e o nome se refere ao bandeirante Domingos Jorge Velho, responsável por matar povos indígenas e ser autor de um dos ataques ao Quilombo dos Palmares, local liderado por Zumbi.

Zumbi dos Palmares é um dos maiores líderes negros da história do Brasil, e teve seu nome inserido, em 1997, como herói nacional no Livro de Aço dos Heróis e Heroínas Nacionais.

O projeto é de autoria do vereador Toninho Vespoli (PSOL). Segundo ele, a ideia veio da direção da Faculdade Zumbi dos Palmares, que fica próxima à rua.

Apesar de aprovado na Câmara, o PL foi enviado ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), que pode sancioná-lo ou vetá-lo. O projeto tramita na Casa desde 2020 e na época foi levantado um abaixo-assinado do Projeto Zumbi Resiste, criado por alunos da universidade.

Invisibilidade exposta

Desde 2020 têm crescido os debates sobre ações como essas. Começou com a popularização da derrubada de estátuas de bandeirantes e escravistas nos Estados Unidos durante os protestos decorrentes do assassinato de George Floyd.

No Brasil, ativistas do Coletivo Juntos cobriram placas de rua com nome de racistas e militares do período ditatorial, por nomes de personalidades negras nas cidades de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF), em 2021. No mesmo ano, a estátua de Borba Gato foi incendiada na cidade de São Paulo.

Esse ano, ativistas baianos substituíram o nome da princesa Isabel pelo de Dandara dos Palmares em placas de avenida em Salvador (BA) no dia 13 de maio. Uma referência à falsa abolição.

Muitos pesquisadores se dedicam à construção desse debate, e até já desenvolveram plataformas para mapear estátuas e ruas em homenagem a proprietários e traficantes de escravizados, eugenistas, e responsáveis pelo genocídio de indígenas, quilombolas, negros e escravizados. A Afirmativa ouviu alguns deles em uma reportagem especial sobre história pública, memória, escravidão o que fazer com esses monumentos e homenagens.