Texto: Divulgação
O Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA), sangrou em violência nos primeiros meses de 2026. A região concentrou, entre 1º de janeiro e 25 de abril, 26 tiroteios, sendo que 25 deles ocorreram durante ações policiais. Os dados são do Instituto Fogo Cruzado e revelam que o período registrou a maior alta de violência na região, desde o início do monitoramento na Bahia, em 2022.
O levantamento contabiliza 40 pessoas baleadas, 26 tiroteios e 30 vítimas fatais em cerca de quatro meses. O Complexo de Amaralina é formado pelos bairros Nordeste de Amaralina, Vale das Pedrinhas, Chapada do Rio Vermelho e Santa Cruz, territórios formados por maioria da população negra.
Grande parte das ocorrências nos bairros que compõem o Complexo foram registradas nas ações da Força de Segurança estaduais. Segundo o estudo, das 40 pessoas atingidas, 39 foram durante ações policiais, que também provocaram 29 mortos e 10 feridos.
O monitoramento aponta que, no mesmo período em 2025, foram contabilizados 19 tiroteios no Complexo, dos quais 16 ocorreram durante ações policiais, deixando 10 mortos e três feridos. O número representa um aumento de 56% no número de tiroteios em operações policiais, enquanto o número de mortos cresceu em 190% e o total de baleados em ações teve o acréscimo de 233%.
A escalada da violência policial se refletiu em diferentes casos ao longo do ano. Em fevereiro, a região viveu dias de terror após uma série de operações policiais que resultaram em 12 mortes. As ações ocorreram depois da morte do cabo da Polícia Militar, Glauber Rosa Santos, baleado durante uma operação na região.
Em maio, Deivisson Sanches Oliveira e Delmo Santos Soares foram mortos durante uma operação policial enquanto voltavam do trabalho, de acordo com o relato de familiares. Um terceiro homem morreu na operação, mas não teve o nome identificado.


