Por Catiane Pereira*
Dois homens foram mortos por policiais militares na manhã desta quarta-feira (27), no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, as vítimas eram trabalhadores da construção civil e seguiam para o trabalho quando foram baleadas.
Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46, estavam em uma motocicleta e carregavam ferramentas de trabalho e marmitas. De acordo com apuração do portal G1, os objetos ficaram ao lado dos corpos após a ação policial.
Moradores relataram ao G1 que os disparos aconteceram entre 7h e 7h30. Testemunhas afirmam que os agentes do 7º BPM chegaram atirando e que não houve ordem de parada. Ainda segundo relatos, os trabalhadores teriam sido confundidos com traficantes da região.
Em nota divulgada à imprensa, a Polícia Militar afirmou que os agentes atuavam em apoio a uma operadora de telefonia no Jardim Catarina e alegou que um dos equipamentos carregados pelas vítimas foi confundido com uma arma.
Segundo informações da CNN Brasil, os policiais envolvidos foram afastados das ruas e tiveram as armas apreendidas para perícia. As imagens das câmeras corporais também foram requisitadas pela investigação.
A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) investiga o caso. Segundo a corporação, testemunhas e os policiais militares envolvidos estão sendo ouvidos. Uma perícia também foi realizada no local.
Ainda de acordo com o G1, uma régua de pedreiro foi encontrada pela perícia a cerca de 150 metros dos corpos. Edivan também era dono de um bar na região e teria ido ajudar Marcelo em um serviço de obra naquela manhã. Após a repercussão do caso, moradores realizaram protestos na BR-101.
Segundo a Alma Preta Jornalismo, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) encaminhou ofícios à Secretaria de Estado de Segurança Pública, ao Comando-Geral da PMERJ, ao 7º BPM e ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) cobrando medidas urgentes sobre o assassinato dos dois trabalhadores.
Nos documentos, a comissão teria pedido esclarecimentos sobre a ação policial, a garantia de preservação e divulgação das imagens registradas pelas câmeras corporais dos agentes envolvidos, além de uma investigação independente sobre a ocorrência e informações a respeito dos procedimentos operacionais utilizados na operação.
Os corpos das vítimas foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) de Tribobó, em São Gonçalo. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o sepultamento.
*Com informações de Alma Preta, G1 e CNN


