Uma série da Revista Afirmativa em homenagem às nossas mais velhas

“África liberta em suas trincheiras. Quantas anônimas guerreiras brasileiras” é um verso de uma música considerada hino do movimento de mulheres negras contemporâneo, cantada no encerramento do 1º Encontro Nacional de Mulheres Negras, realizado entre os dias 2 e 4 de dezembro de 1988, em Valença, no Rio de Janeiro. As ativistas negras chamavam atenção com a música que a resistência e o fortalecimento da população negra no Brasil se fez, ao longo da história, por milhões de mulheres que não entraram para a memória coletiva da nação.

Música e vídeo que inspira o nome da nossa série

Essas milhões de anônimas, que inventaram e reinventam cotidianamente formas de viver e resistir para si mesmas, suas famílias e comunidades, envelhecem; e nós aproveitamos o mês do Dia Internacional das Mulheres (8 de março) para homenagear às nossas mais velhas com a série de perfis: Anônimas Guerreiras Brasileiras.

A partir de hoje, todas as terças-feiras do mês, publicaremos uma reportagem sobre a trajetória de vida de uma mulher negra idosa. Falaremos sobre suas histórias, trabalho, família, amores, sonhos. Estreando a série, apresentamos a baiana Maria Ivonete, de 82 anos.

Ela é natural da Ilha de Vera Cruz, município  localizado na Baía de Todos os Santos,  cerca de 22 km de distância de Salvador. Dona Maria trabalhou como baiana de acarajé no centro da capital baiana, é torcedora do Flamengo e não dispensa um bom samba. Ela teve uma vida de muitas lutas, e conta que seu bom humor sempre foi uma estratégia de vencer as dificuldades.

Nossa segunda homenageada é a pernambucana Odete Figueira, de 94 anos, nascida na cidade de Itambé,  há 77 km de Recife. Dona Odete migrou para  Olinda ainda na juventude, onde mora até hoje. Durante toda a vida profissional ela trabalhou como costureira e comerciante, hoje nossa mais velha está em casa, descansando e aproveitando os seus dias. Ela gosta de ler e de fazer crochê.

Nossa terceira homenageada é Dona Maria Hercílio, de 65 anos, nascida e criada na comunidade Quilombola de Capoeiras, no município de Macaíba (RN), localizado há 65 km de Natal. A  quilombola macaibense sempre trabalhou com a terra, e há um tempo abriu um bar, local onde hoje ela trabalha e se distrai.

Fechamos a série com  mais uma baiana, dona Marinalva Barbosa, de 69 anos bem vividos em Salvador. Assistente social aposentada, ela não dispensa uma festa, ama dançar e viajar.

Estas 4 mulheres reúnem vivências, trajetórias de luta, resistências e alegrias. Não por mera coincidência, suas histórias se aproximam com as de outras milhões de Anônimas Guerreiras Brasileiras. Acompanhe a nossa série, e venha se divertir e se emocionar com as nossas mais velhas.