Por Monique Prado / Imagem: Reprodução Globo

No último domingo (28) a participante do #BBB21, Lumena Aleluia, disse em rede nacional: “Eu não vim para o BBB para ensinar nada pra ninguém” desabafando sobre as mazelas do racismo sobre os corpos negros.

Longe de julgar as ações da participante no reality show, é fundamental refletir sobre o peso das opressões, especialmente às pessoas que estão na base da pirâmide social, visto que o acúmulo de opressões fazem com que essas sujeitas enxerguem o mundo diferente e, consequentemente, expressem o seu ódio contra esse sistema de opressão cuja encruzilhada se dá não só pelo racismo, como também pelo sexismo.

O corpo de mulheres negras raramente são retratados longe de estereótipos, de modo que essas mulheres são relacionadas a sexualidade, a maternidade, a serviência ou a confusão. Com efeito, o racismo se vale da linguagem corporal e da imagem de mulheres negras para autorizar a chacota, preconceitos e discriminações sobre os nossos corpos.

Entretanto, não só de imagem e estereótipo vive a mulher negra, já que embora o racismo tente abafar, somos produtoras de sentidos e quando a nossa expressão causa desconforto na branquitude, o que tentam fazer é retirar o gozo pleno da nossa humanidade.

Além disso, as pessoas negras não são respeitadas em sua individualidade, tendo a sua subjetividade sequestrada, ou seja,  pessoas negras, sobretudo as que estão expostas na mídia, respondem pelo seu grupo, peso esse que uma pessoa branca nunca vai ter.

Que a gente possa acolher e compreender que pessoas pretas também erram e que esse erro não seja visto como avassalador ao ponto de nos retirar a humanidade, pois isso ratifica o racismo.