Texto: Divulgação
Desenvolvido na Aldeia Fulni-ô, em Águas Belas (PE), o projeto YAATHE nasceu com o objetivo de transformar o audiovisual em ferramenta pedagógica voltada à preservação do Yaathe, considerada a única língua indígena viva do Nordeste brasileiro fora da Amazônia Legal.
Com apoio financeiro de leis de incentivo à cultura, a produtora pernambucana Tempoo – com pesquisa de Mateus Guedes e Fábia Fulni-ô, roteiro e direção de Mateus Guedes, produção executiva de Ana Sofia e produção local do Coletivo Fulni-ô de Cinema –, desenvolveu uma pesquisa teórico-prática que reúne cinema, música, design, ilustração e motion graphics em uma experiência educativa construída dentro da própria comunidade indígena e voltada às novas gerações da aldeia.
“Ao unir arte, tecnologia, pesquisa e educação intercultural, o projeto constrói um modelo experimental de preservação linguística que poderá inspirar futuras iniciativas em territórios indígenas de diferentes regiões do país”, expressa Mateus Guedes.
A iniciativa nasceu da percepção de que, embora o povo Fulni-ô reúna cerca de sete mil pessoas em Águas Belas, apenas aproximadamente 500 ainda falam fluentemente o Yaathe. A língua, que sobreviveu a séculos de colonização, repressão e apagamento cultural, chegando a ser proibida durante o século XX, hoje enfrenta o desafio da continuidade entre crianças e jovens.
“Até a década de 1960, o Yaathe ainda era a língua materna do povo, sendo a primeira língua falada pelas crianças. Contudo, com a chegada das escolas e da televisão, o português passou a ocupar um espaço maior no cotidiano”, afirmou o Pajé Fulni-ô Awassury Araújo de Sá em entrevista recente à Afirmativa.
O principal resultado do projeto é uma videoaula piloto criada para auxiliar práticas de alfabetização e letramento em Yaathe. Diferente dos formatos tradicionais de ensino, o material aposta em elementos visuais, trilhas sonoras originais e recursos gráficos para aproximar o idioma do cotidiano das novas gerações Fulni-ô.
Além da produção audiovisual, a iniciativa também realizou ações pedagógicas nas escolas da aldeia. Foram promovidas aulas experimentais na Escola Indígena Fulni-ô Marechal Rondon, nas unidades de Ensino Fundamental e Ensino Médio, em parceria com Fábia Fulni-ô, Hugo Fulni-ô e Waya Fulni-ô, integrantes da produção local. As atividades foram conduzidas pelo professor Riury Marques de Melo, integrante do corpo docente da comunidade.
Durante os encontros, estudantes tiveram acesso aos conteúdos produzidos ao longo da pesquisa através de uma estrutura de projeção e som montada especialmente para as exibições. As ações também funcionaram como espaço de escuta e observação metodológica, permitindo que o próprio projeto fosse ajustado a partir das respostas da comunidade.
Neste primeiro momento, o conteúdo completo da videoaula será entregue à coordenação pedagógica da aldeia, responsável por definir como ele será utilizado nas escolas indígenas locais. Em uma etapa futura, a obra será lançada também para o público externo à comunidade.


