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Projeto realiza mapeamento nacional de trabalho de trancistas e trançadeiras negras no Brasil

Tranças no Mapa pretende criar o primeiro acervo digital iconográfico, com diversidade de imagens de tranças inseridas pelas próprias profissionais
Imagem: Freepik

Por Patrícia Rosa*

Com o intuito de mapear dados para uma cartografia colaborativa de trancistas e trançadeiras negras em todo o país, está aberto o formulário do Mapeamento Colaborativo Digital e Iconográfico de Trancistas Negras — Distrito Federal e Território Nacional. A iniciativa integra a 2 ª edição do projeto Tranças no Mapa, e faz parte da dissertação da trancista e pesquisadora Layla Maryzandra.

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais da Universidade de Brasília (UnB), ela pesquisa a prática que exerce desde os 17 anos.

A pesquisa Tranças no Mapa foi anunciada em dezembro de 2025 como uma das ações vencedoras do 37º Prêmio Rodrigo Melo de Andrade, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“A pesquisa preenche uma lacuna histórica importante: a ausência de dados e indicadores sociais específicos sobre o ofício de trançar, principalmente sob as perspectivas de raça, gênero e território”, afirma Maryzandra.

A ação visa mapear os territórios onde o ofício é exercido, as técnicas e conhecimentos utilizados no trabalho, os processos de transmissão de saberes e as condições de trabalho no Distrito Federal e em outras regiões do país.

O mapeamento é destinado a mulheres negras maiores de 18 anos, com experiência mínima de três anos de trabalho na área. Como resultado, o objetivo é construir o primeiro acervo digital iconográfico de trancistas de todo o Brasil, com diversidade de imagens de tranças inseridas pelas próprias profissionais. Para acompanhar as etapas do mapeamento, as trancistas podem seguir as redes sociais do projeto.

Apesar de marcar gerações, a inclusão oficial da profissão de trancista na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aconteceu há cerca de um ano, sob o código 5161-65. As profissionais passaram a integrar o grupo dos profissionais dos serviços de estética e beleza. O mapeamento reforça a importância desse reconhecimento, uma vez que não existe um número oficial sobre a quantidade de trancistas no Brasil.

*Com informações do Alma Preta

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