Texto: Divulgação
Quem conta a história das mulheres que ajudaram a construir comunidades, preservar tradições e liderar processos de resistência em diferentes territórios do Brasil? A partir dessa pergunta, a Rede de Mulheres Amefricanas (REMA) lançou uma chamada nacional para ampliar o registro das trajetórias de mulheres negras e amefricanas que marcaram a história de seus estados.
A iniciativa convida pesquisadoras, intelectuais comunitárias, lideranças sociais e mulheres de terreiro de todas as regiões do país a participarem da construção de uma coleção de dicionários biográficos estaduais. O objetivo é reunir, no mínimo, 100 verbetes sobre mulheres amefricanas em cada unidade da federação.
As interessadas podem acessar as orientações para elaboração e envio dos verbetes no site do projeto. O material pode ser produzido por mulheres envolvidas em pesquisas, movimentos sociais, coletivos culturais, comunidades tradicionais ou demais espaços de resistência que desejem contribuir para a preservação dessas trajetórias.
A chamada é destinada a mulheres cis e trans interessadas em escrever biografias, autobiografias ou biografias afetivas de mulheres que fizeram diferença em seus territórios. Entre os perfis que podem ser retratados estão professoras, cientistas, ativistas, quilombolas, líderes religiosas, sambistas, artesãs, parteiras e militantes.
As submissões permanecem abertas em fluxo contínuo para todos os estados brasileiros e não há cobrança de taxa para participação. Segundo a REMA, a construção dos dicionários integra um esforço de aquilombamento da memória nacional, conectando diferentes gerações e territórios por meio das histórias de mulheres negras e amefricanas.
Coordenada pelo Programa de Pós-Graduação em História da PUC Goiás e pelo grupo de pesquisa Kilombo Áyàn: Memórias Sociais e Subjetividades Transatlânticas, a proposta tem como inspiração as escrevivências da escritora Conceição Evaristo e o legado da historiadora e intelectual Beatriz Nascimento, que defendia a importância de que mulheres negras narrassem suas próprias histórias.
A iniciativa busca fortalecer a memória coletiva e ampliar a visibilidade de mulheres que, muitas vezes, permanecem ausentes dos registros históricos oficiais. A proposta também reconhece o papel das comunidades na preservação dessas narrativas e valoriza conhecimentos construídos para além dos espaços acadêmicos.


