Além de ameaçar de morte o vereador e seus familiares, o e-mail apresenta ofensas racistas e faz referência à ocupação da prefeitura por professores em março

Da Redação

Imagem: Câmara de Deira de Santana

O vereador de Feira de Santana (BA) Jhonatas Monteiro (PSOL), foi alvo de novas ameaças, recebidas através do e-mail institucional do parlamentar no último dia 04 de julho. A assessoria do vereador optou por não divulgar o ocorrido imediatamente para preservar o trabalho inicial de investigação do caso, que está sendo realizado pela Polícia Civil, e outras medidas de segurança.

Além de ameaçar de morte o vereador e seus familiares, mencionando inclusive o bairro onde ele reside, na periferia do município, o e-mail apresenta ofensas racistas contra o parlamentar. “Se você não parar de falar na imprensa a gente vai jogar gasolina em você e na sua família de macacos pretos fedidos e tocar fogo em vocês.”. O e-mail finaliza pedindo respeito à Guarda Municipal de Feira de Santana, e ao governo municipal.

São referências às denúncias realizadas pelo parlamentar em decorrência das primeiras ameaças, que recebeu em abril deste ano através de mensagens de celular que partiram de um número desconhecido. Elas fazem alusão à ocupação da prefeitura municipal nos dias 31 de março e 1 de abril por parte de professores, estudantes e militantes, motivada pela greve dos trabalhadores da educação da rede municipal.

Contexto favorece violência política

Em entrevista no programa Transnoticias da rádio TransBrasil Fm, de Feira de Santana, no dia 29 de julho, o vereador afirma que recebeu as ameaças de modo inesperado. Isso porque o mandato sempre tocou em pontos delicados do ponto de vista de interesses econômicos, como o shopping popular, transporte público, violência do ‘Rapa’, e até então não havia ameaças dessa natureza. O que mudou desde a ação na prefeitura.

“Por outro lado, quando analisamos o contexto de Feira de Santana, a gente percebe que ele favorece isso. O episódio na prefeitura não foi confusão, foi brutalidade irrestrita. Ao invés de o governo municipal repudiar e apurar, o prefeito Coblert Martins (MDB) endossou a violência”, destaca. Monteiro pondera, no entanto, que não acredita que as ameaças vieram da prefeitura ou da Guarda Municipal.

A ocupação da sede da prefeitura foi marcada por vídeos que mostram a Guarda Municipal entrando no local e agredindo com cassetete e spray de pimenta os manifestantes. Monteiro, que é professor de História, e foi eleito em 2020 como o vereador mais votado da história do município, acompanhava os protestos para mediar as tentativas de negociação com o governo do prefeito Colbert Martins (MDB). Mas, acabou sendo também alvo das agressões, sofrendo escoriações no corpo, além da quebra parcial de um dente.

As mensagens de abril expunham dados de Monteiro e de seus familiares e diziam para ele tomar cuidado “para não perder outro dente”. O e-mail recebido neste mês de julho apresenta forte conteúdo de ódio, com desqualificação aos professores, tratados como “vagabundos”.

A violência empregada pela Guarda Municipal foi legitimada por diversas declarações do prefeito Colbert. Até o presente momento, não houve qualquer apuração dos fatos por parte da Prefeitura. Pelo contrário, Jhonatas e outros vereadores que estiveram ao lado das(os) manifestantes, assim como o sindicato que representa a categoria, ainda foram alvo de processo judicial por parte da Prefeitura Municipal.

O PSOL, partido do vereador, é atualmente o que mais acumula casos de violência e ameaças contra suas figuras públicas. Mais de 20 parlamentares do partido, principalmente mulheres negras e pessoas LGBTQIA+, foram recentemente vítimas de assédio, agressões, perseguição, ameaças de morte e até mesmo tentativas de atentados, interceptadas a tempo pelas autoridades.

Investigações

Chama a atenção o fato da mensagem, enviada por um serviço de e-mail temporário, simular ter vindo de uma conta institucional da Secretaria Municipal de Prevenção à Violência (Seprev). O próprio texto da mensagem é assinado pela “Secretaria Municipal de Direitos Humanos de Feira de Santana”.

Não existe órgão com esse nome na atual estrutura da Prefeitura e a confirmação da autoria depende da investigação atualmente em curso. Mas a atuação política de Jhonatas em oposição à Administração Municipal parece ser o centro das ofensivas contra ele.

No caso das ameaças de abril, Monteiro, que hoje é pré-candidato a deputado estadual, explica que já houve avanços. “Na última conversa com a Polícia Civil já havia um afunilamento para autoria, ou pelo menos para uma suspeita, isso veio a partir do cruzamento de vários dados. Não apresento mais detalhes porque compete à própria Polícia Civil apresentar os resultados da investigação.”, informa.

Após a primeira ameaça, recebida em abril, Jhonatas foi incluído no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), que já está a par da nova ameaça sofrida e acompanha o caso. Além disso, a Secretaria de Segurança Militante do PSOL – órgão recém criado pela Executiva Nacional do partido para lidar com os casos de violência contra sua militância e suas/seus parlamentares – foi acionada. Em paralelo, as investigações sobre as ameaças sofridas também seguem na Polícia Civil.