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Cantor baiano contesta versão da PM sobre prisão no Pelourinho, em Salvador (BA)

Após vídeo da abordagem circular nas redes, o artista afirma que arma apreendida foi implantada pelos agentes
Imagem: Reprodução Redes Sociais

Por Luana Miranda*

Um vídeo de Tom Sofrência sendo preso pela Polícia Militar, na noite do domingo (05), no Centro Histórico de Salvador (BA), tem circulado nas redes sociais. As imagens mostram o cantor sendo contido pelos agentes de segurança, enquanto se recusa a ser levado pela guarnição. As autoridades alegam que o músico estava tentando fugir do local com uma pistola, informação negada pelo artista.

O caso ganhou mais uma camada na última terça-feira (07), quando Tom Sofrência afirmou, em entrevista ao Jornal Correio, que os policiais implantaram a arma durante a abordagem. “Quando vi que eles iam me prender e forjar uma arma, eu reagi”, afirmou o cantor ao relembrar detalhes da situação. “Fui humilhado no lugar onde eu vivo e ganho meu pão.”

O caso aconteceu em frente ao Bar do Fua, localizado no Pelourinho. Tom Sofrência é uma atração recorrente no espaço há quatro anos, sempre tocando às sextas-feiras e aos domingos. Na ocasião, o cantor se preparava para sair do local em seu carro, uma Duster prata, quando ficou de frente para uma viatura. Ao abrir passagem para a guarnição, o cantor alega que os policiais notaram que a placa do seu carro estava tapada. 

Quanto a isso, Tom assegura que é um procedimento frequentemente realizado pelos comerciantes e trabalhadores da região, visto que a Transalvador restringe a circulação de automóveis no trajeto e utiliza o suporte de radares para isso. O artista apontou para uma abordagem truculenta por parte dos agentes, e comentou que mesmo conhecendo as pessoas da comunidade, os policiais continuaram atuando incisivamente. “Sou músico, nunca me envolvi com tráfico de drogas”, declarou.

Para o artista, a ação foi resultado de uma perseguição ao bar em que tocava e que também pertence a membros de sua família. Durante os quatros anos em que o músico se apresentou no estabelecimento, o espaço se tornou uma referência para a comunidade LGBTQIA+, famoso pelo slogan “LGBT, tem que respeitar”. Por isso, Tom acredita que o bar incomoda até mesmo os demais comércios da região.

Em nota ao Correio, a assessoria da Polícia Militar da Bahia (PMBA)  informou que um carro foi avistado na contramão, e continha a placa de identificação coberta por um pano. Ao ser abordado, o condutor do veículo tentou fugir. A PMBA afirmou que junto ao condutor foram apreendidos uma pistola calibre 380, carregador de munição com 12 cartuchos e dois celulares. 

Tom Sofrência foi conduzido à delegacia para prestar depoimento na Central de Flagrantes. Ao chegar lá, pagou uma fiança e foi liberado. “Domingo foi a última vez. A gente é perseguido por levantar a bandeira LGBTQIA+”, declarou o artista que afirma temer pela sua vida.

*Texto construído com informações do Correio

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