Texto: Divulgação

Imagem: Repordução Sindoméstico

O Conselho da Universidade Federal da Bahia (UFBA) aprovou o Título de Doutora Honoris Causa da instituição para Creuza Oliveira, presidenta de honra da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD). Ela será a primeira liderança sindical da categoria das trabalhadoras domésticas a receber essa homenagem no Brasil. O dia da solenidade de entrega da honraria ainda não foi divulgado.

Creuza também é secretária de Formação Sindical e de Estudos do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos da Bahia (SINDOMÉSTICO/BA) e coordenadora-geral do Instituto 27 de Abril.

O grupo que preparou o memorial sobre Creuza Oliveira para a análise da concessão do Título foi coordenado pela professora Elisabete Pinto, do Instituto de Psicologia (IPS) da UFBA. Participaram ainda a professora e pesquisadora visitante Emérita da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Mary Garcia Castro; José Ribeiro, representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT); a deputada estadual Olívia Santana; o jornalista Pedro Castro; Renato Resende, juiz do Trabalho (TRT); Patrícia Carla Zucoloto e Mariana da Cruz Silva, ambas do IPS/UFBA, dentre outros.

Da FENATRAD participaram Luiza Batista, coordenadora-geral; Cleide Pinto, coordenadora de Atas; Francisco Xavier, coordenador de Finanças; e Milca Martins, presidenta do SINDOMÉSTICO/BA. Cleusa Silva, da Casa Laudelina de Campos Melo, também integrou o grupo.

Para Elisabete Pinto, “Creuza de Oliveira é uma intelectual orgânica que conseguiu organizar as mulheres negras de todo Brasil em torno da questão laboral. Poucos doutores conseguem que o conhecimento produzido por eles na academia tenha um impacto social e possa transformar vidas”, disse.

Já Mary Garcia Castro afirma que “vem se afirmando um movimento aproximando a universidade e os movimentos sociais. Daí se fortalece o programa de Mestre de Saberes e a concessão de títulos a tais mestres formados em vivências de movimentos por justiça social, contra desigualdades sociais e por direitos humanos, como o das trabalhadoras domésticas”.

Já a deputada estadual Olívia Santana pontuou que Creuza Oliveira dedicou sua vida à causa da dignidade das trabalhadoras domésticas. “Apenas 30% das domésticas têm a sua carteira de trabalho assinada. Creuza é uma pessoa absolutamente necessária, pois constrói conhecimento e serve à sociedade”, ressaltou.

A homenageada, Creuza Oliveira, ressalta a importância do Título. “A academia esteve distante do povo e das classes menos favorecidas. Os representantes desta classe só conseguiram chegar à universidade a partir da política de cotas. Foi daí que muitas pessoas tiveram que ‘engolir’ as filhas e filhos das domésticas, a população indígena e negra nas universidades. Este Título irá abrir portas para outras. É uma vitória muito importante para a nossa luta e para a nossa história”, afirmou.

Vale destacar que do início deste ano até o dia 14 de junho, o Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 1.443 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão, com destaque para um aumento nos casos de exploração do trabalho doméstico. Os números são os maiores dos últimos 12 anos.

Premiações

Creuza Oliveira recebeu, no dia 1º de julho, o título de comendadora da Ordem Dois de Julho – Libertadores da Bahia. Além disso, a sindicalista recebeu o Prêmio Revista Cláudia, “Mulheres que fazem a diferença”, em 2003. E o Prêmio Direitos Humanos, da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal, em 2003 e em 2011, pela luta contra o trabalho infantil e por igualdade racial. E em 2005 a Ordem do Mérito do Trabalho no Grau de Cavaleira, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi indicada para o Prêmio 1.000 Mulheres para o Nobel da Paz em 2005; recebeu ainda o Troféu Raça Negra da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, no ano de 2013. E a homenagem “Mulheres Guerreiras”, da Previdência Social. E no Senado Federal o Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, em 2015, dentre outras diversas honrarias.