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Deputado do PL é acusado de agredir e intimidar estudantes da Faculdade de Comunicação da UFBA

Estudantes da Universidade Federal da Bahia relatam agressões e intimidação após entrada do deputado estadual Diego Castro à Faculdade de Comunicação
Imagem: Reprodução Redes Sociais

Por Catiane Pereira*

A entrada do deputado estadual Diego Castro (PL) na Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, terminou com estudantes feridos e relatos de intimidação dentro de um dos principais espaços públicos de formação do estado. Em nota, a universidade repudiou os “atos de violência, intimidação e desrespeito” e informou que Tobias Muniz, presidente do Centro Acadêmico da Facom, foi empurrado por um integrante da segurança do parlamentar e ficou ferido, enquanto outros estudantes denunciam agressões cometidas durante a passagem do deputado e de sua equipe pelo campus nesta quinta-feira (20).

A confusão ocorreu durante o acolhimento de calouros, na semana de retorno às aulas do segundo semestre. Diego Castro esteve no campus de Ondina acompanhado por integrantes de sua equipe e retirou adesivos em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT).

De acordo com relatos publicados pelo Bahia Notícias, a discussão também envolveu vídeos gravados pelo deputado sobre os banheiros da Facom. Estudantes questionaram a presença do parlamentar após ele registrar imagens das placas que indicam que os banheiros podem ser utilizados por pessoas cis, trans, não binárias e travestis.

O episódio evoluiu para uma discussão dentro do prédio. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o confronto entre estudantes e integrantes da equipe do deputado.

Segundo o Metro 1, Tobias Muniz afirmou que foi xingado pelo deputado antes de ser empurrado por um dos seguranças que o acompanhavam. 

Estudante relata intimidação e agressões

Além de Tobias, outro estudante ouvido pela Afirmativa relatou ter sido intimidado por pessoas que acompanhavam Diego Castro durante a saída do deputado do prédio.

Lucas Cerqueira dos Santos, de 21 anos, estudante de Jornalismo, afirmou que acompanhava a movimentação na escada entre o primeiro andar e o térreo quando colocou o próprio casaco em frente à câmera que registrava a saída do parlamentar. 

“Me revoltei com um deputado estadual que recebe mais de R$ 30 mil por mês perdendo tempo em um episódio que não era uma campanha política […] mas tentando intimidar estudantes de uma universidade pública. E [colocar o casaco em frente à câmera] foi o suficiente para outros comparsas dele virem me peitar, tentar me intimidar, falando ‘você tá maluco, você acha que você é quem?’”, relatou Lucas.

O estudante afirmou não se recordar de todas as falas dirigidas a ele, mas disse que a abordagem foi marcada principalmente pela intimidação física. “Foi muito mais tentando intimidar fisicamente do que com palavras. Essa foi a impressão que eu tenho do que aconteceu comigo.”

Lucas também conta que outros estudantes foram empurrados durante a confusão. “Teve gente que foi empurrada para cima de um banco e quase bateu a cabeça”, disse.

Segundo o relato do estudante, a confusão que terminou em agressões não teve como principal motivo os adesivos de campanha. Para ele, o episódio ganhou novos contornos quando o deputado passou a questionar a sinalização dos banheiros da Faculdade de Comunicação.

Diretor da Facom relata ameaças

O diretor da Facom, Washington José de Souza Filho, declarou ao Bahia Notícias que chegou ao local quando a situação já estava em confronto e responsabilizou o deputado pelo episódio. “O que eu sei é que quando eu cheguei lá percebi que tinha uma situação de confronto e entendi que o personagem responsável por isso foi o deputado Diego Castro Barbosa.” 

Washington também relatou ter sido ameaçado durante a saída do parlamentar e de sua equipe do prédio. Segundo o professor, ele não foi agredido fisicamente, mas recebeu ameaças de um dos homens que acompanhavam o deputado.

Após a confusão, estudantes se reuniram em assembleia para discutir o ocorrido e a presença do parlamentar no campus. 

Caso foi levado à Polícia Civil e à Justiça Eleitoral

O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, afirmou nas redes sociais que recebeu o aluno Tobias Muniz após o episódio. Segundo o secretário, a Polícia Civil registrou a ocorrência e adotará as medidas de polícia judiciária consideradas cabíveis.

Freitas também informou que formalizou o relato junto ao Ministério Público Eleitoral, solicitou providências à Justiça Eleitoral e dialogou com a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia para que o caso seja apurado no âmbito da ética e do decoro parlamentar.

Ao Tribunal Superior Eleitoral (TRE), foi solicitado que sejam avaliadas e adotadas as medidas preventivas que se mostrarem necessárias para evitar a repetição de episódios dessa natureza.

“A liberdade de manifestação, de organização política e de pensamento é parte fundamental do regime democrático. As universidades, em especial, precisam ser preservadas como espaços de pesquisa, formação, convivência e livre debate de ideias, nunca como lugares de intimidação ou violência política”, escreveu o secretário.

Diego Castro, por sua vez, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que também registrou um boletim de ocorrência após deixar a 7ª Delegacia Territorial. O parlamentar disse que ele e integrantes de sua equipe foram agredidos durante a visita à universidade.

O deputado também negou ter agredido estudantes e afirmou que imagens divulgadas sobre o episódio estariam fora de contexto.

A UFBA, por outro lado, afirmou que o deputado e integrantes de sua equipe perturbaram a rotina acadêmica e promoveram confrontos verbais e físicos nas dependências da Faculdade de Comunicação.

*Com informações de UOL, Bahia Notícias e Metro 1

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