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Estadunidenses elegem primeira mulher negra e primeira indígena para governos estaduais

Keisha Lance Bottoms e Deb Haaland são eleitas governadoras da Geórgia e do Novo México, em uma eleição marcada pela ampliação da presença de grupos sub-representados na política dos EUA
Keisha Lance Bottoms (à esquerda) e Deb Haaland (à direita) - Imagens: Divulgação/Câmara dos Representantes dos Estados Unidos

Por Luana Miranda

Os estadunidenses foram às urnas na última terça-feira (03) para as eleições de meio mandato. Os  votos seguem em apuração, mas os resultados parciais já demonstram uma vitória histórica dos Democratas, opositores aos Republicanos – partido do atual presidente, Donald Trump. Para além de uma rejeição ao governo, os candidatos eleitos apresentaram uma ruptura de uma parcela da população com os ideais conservadores que, até então, estavam em dominância na política do país. Imigrantes, mulheres, indígenas, negros e LGBTs foram eleitos para cargos nunca antes ocupados por integrantes dessas comunidades.

Até a última consulta realizada pela Revista Afirmativa, os Democratas já haviam conseguido 54 cadeiras no Senado contra 44 dos Republicanos, duas ainda seguem em disputa. Na Câmara, a vantagem permanece, 228 contra 139 e 68 vagas aguardam a contagem de votos. O mesmo fenômeno aconteceu para os cargos de governador, 28 Democratas foram eleitos contra 20 Republicanos, duas cadeiras ainda seguem aguardando o restante da apuração. 

Entre os governadores eleitos, Keisha Lance Bottoms, de 56 anos, se tornou a primeira mulher negra a ocupar o cargo no país. Vencedora pelo estado da Geórgia, um território que possui histórico de grande disputa política entre os partidos, em 2027, ela sucederá o Republicano Brian Kemp, que governou por dois mandatos consecutivos. Há mais de 20 anos que os Democratas não venciam na região. Com uma trajetória política extensa, Bottoms já foi prefeita de Atlanta (GA), cidade em que nasceu, ocupou os cargos de assessora sênior do ex-presidente Joe Biden e de diretora do Escritório de Engajamento Público da Casa Branca.

Outra expoente nessas eleições foi a candidata Deb Haaland, eleita primeira mulher indígena a governar um estado dos Estados Unidos (EUA). Democrata e eleita pelo Novo México aos 65 anos, Haaland é natural do Arizona, filha de mãe indígena e pai de origem norueguesa. Ela derrotou Gregg Hull, candidato pelo partido Republicanos e ex-prefeito de uma das maiores cidades do estado. A cadeira de governadora chegou depois de uma atuação política consistente, já tendo sido eleita a primeira deputada indígena na história do país, em 2018. 

Ela também exerceu o cargo de secretária no gabinete presidencial durante o governo de Joe Biden, sendo responsável por comandar o departamento que administra as terras públicas e os assuntos pertinentes às comunidades indígenas. A trajetória de Haaland também é marcada pelo combate à exploração ambiental e pela ampliação do acesso à saúde.  

Outras governadoras eleitas também demonstram uma mudança na perspectiva política da população estadunidense, principalmente em relação à representação feminina na política. Evidenciam-se: Gina Hinojosa, eleita primeira governadora latina do Texas; Amy Acton, primeira governadora de Ohio; Amy Klobuchar, primeira governadora de Minnesota; Kathy Hochul e Adrienne Adams (candidatas respectivamente a governadora e vice-governadora) eleitas como a primeira chapa 100% feminina em Nova York.

O levante progressista não foi exclusivo dos governos do estado, entre os senadores já eleitos, destacam-se: Chris Pappas, primeiro homem declaradamente gay a ocupar o cargo; Abdul El-Sayed, primeiro muçulmano; Peggy Flanagan, primeira mulher indígena; Annie Andrews, primeira mulher eleita na Carolina do Sul. Para as cadeiras de deputados também houve avanços: Melat Kiros é a primeira mulher negra eleita ao Congresso pelo estado do Colorado, e Felipe Sousa-Lazaballet, brasileiro oriundo de Duque de Caxias (RJ), foi eleito como o primeiro brasileiro a ocupar o cargo na Flórida.

Nos Estados Unidos, a cada dois anos acontecem eleições para renovar completamente a Câmara de Representação e parcialmente o Senado  do país. Diferente do Brasil, os deputados estadunidenses possuem mandatos de dois anos, enquanto os senadores ocupam as cadeiras por seis anos. Quando o pleito coincide com a metade do mandato presidencial, a eleição é conhecida como Midterms e é considerada um termômetro que mede a popularidade da gestão do presidente. Os governos estaduais também são eleitos durante as eleições de meio mandato, mas possuem renovação a cada quatro anos na maioria dos estados do país.

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