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Vereadora Benny Briolly sofre ataque durante ato em shopping e é levada para atendimento médico

Parlamentar participava de manifestação em defesa do uso de banheiros por pessoas trans quando foi empurrada e atacada com spray de pimenta

Por Jamile Novaes*

A vereadora Benny Briolly (PT) precisou ser hospitalizada após sofrer agressão no Plaza Shopping, em Niterói (RJ). O ataque transfóbico aconteceu na noite da última terça-feira (19), quando a vereadora participava do ato “Libera Meu Xixi”, realizado com o objetivo de defender o uso de banheiros para pessoas trans de acordo com sua identidade de gênero.

Segundo informações concedidas por sua assessoria ao jornal O Globo, a agressão aconteceu quando Benny informou que iria utilizar um dos banheiros femininos do shopping e foi impedida por um homem. Em seguida, ela teria sido empurrada e atacada com um spray de pimenta. 

Em suas redes sociais, a vereadora publicou um vídeo do momento em que foi socorrida por bombeiros civis e encaminhada ao Hospital Municipal Carlos Tortelly. “Fui atacada com violência física, jogada no chão, e precisei ser hospitalizada às pressas. Isso não é opinião política. Isso é ódio e violência. Chega de transfobia!”, escreveu. 

De acordo com informações divulgadas pela assessoria da vereadora, ela apresentou tontura, desorientação e alteração da pressão arterial, mas os sintomas foram estabilizados após atendimento na “sala vermelha” do hospital – espaço reservado a pacientes em estado crítico de saúde. 

Antes mesmo do ato, no começo da noite de terça-feira, a vereadora usou as suas redes sociais para comunicar que estava recebendo ameaças de morte e aconselhar que as pessoas LGBTQIA+ e apoiadoras desistissem de comparecer ao ato por questão de segurança. Ainda assim, a manifestação pacífica aconteceu com um número reduzido de participantes. 

Transfobia e violência política de raça e gênero

Benny Briolly é a primeira mulher trans eleita e reeleita vereadora no estado do Rio de Janeiro. Atualmente, é pré-candidata a deputada federal. Não é a primeira vez que a parlamentar é alvo de transfobia e violência política de raça e gênero. 

Em maio de 2021, menos de um ano após sua eleição para o primeiro mandato, ela precisou sair do país para se proteger de ameaças sofridas nos meios digitais e em espaços públicos. Os ataques partiram, inclusive, de um colega da casa legislativa, o então vereador bolsonarista Douglas Gomes (PTC-RJ), que se dirigiu ao plenário para se referir à vereadora como “vagabundo, moleque, seu m**** e mentiroso” e em seguida tentou agredi-la fisicamente.

Em 2022, durante uma sessão ordinária na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), o deputado Rodrigo Amorim (União Brasil) – que ficou conhecido por quebrar uma placa em homenagem a Marielle Franco – chamou Benny de “aberração da natureza”, e se referiu à parlamentar no gênero masculino. 

Depois de denunciar o deputado, a vereadora recebeu um e-mail enviado pela conta institucional de Rodrigo. Com o título “Já estou contando as balas”, a mensagem apresentava  ofensas racistas e transfóbicas e ameaças de morte. Em 2024, o deputado chegou a ser condenado a 1 ano e 4 meses de prisão pelo crime violência política de gênero, mas a pena foi convertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de multa.

De acordo com um levantamento realizado pela Folha de S. Paulo durante as eleições de 2022, a maioria das travestis e transexuais eleitas para as Casas legislativas no Brasil relataram ter passado por situações de violência política transfóbicas, enquanto outra grande parte sofreu ameaças de agressão e morte. 

A edição de 2024 do MonitorA – Observatório de Violência Política de Gênero reafirmou o diagnóstico. “As candidatas mulheres não são alvos de ataque  na internet por suas propostas ou ações políticas, mas sim por sua identidade ou por não se conformarem às expectativas sociais impostas, marcadas por gênero, raça, classe e outros marcadores sociais da diferença”, explica o levantamento, que acompanha os pleitos eleitorais desde 2020, observando repetidamente a permanência de padrões da violência de gênero online durante as eleições. Transfobia, gordofobia, descrédito intelectual  e etarismo são alguns dos principais eixos de ataque virtuais registrados.

*Com informações de O Globo

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